Fique por dentro do mundo da economia!


CADASTRE-SE AQUI

Maio: o passado não descreve o futuro – ainda mais aqui

O mês de maio, nos últimos anos, tem ficado conhecido como o temeroso período de perdas na bolsa de valores. A estratégia sell in may and go away (em tradução livre: “venda em maio e vá embora”) parece estar consolidada entre muitos, que já entram neste mês vendidos em diversas posições, aguardando a hora de confirmar suas expectativas.

Chegamos a maio de 2019. Durante a primeira quinzena, expectativas negativas tomaram o cenário. Reforma da previdência não passa mais, desaprovação ao governo começa a superar a aprovação, articulação política tendendo a zero… Em suma, o caos que se aguardava em termos temporais parecia dar sinais de sua presença.

Então fomos para a segunda quinzena de maio: as tramitações começaram a avançar, uma reforma tributária também entra em jogo por proposta do congresso (aquele que parecia apático a qualquer necessidade do país) e, quase ao final do mês, uma manifestação popular demonstra que o apoio à reforma previdenciária, diferentemente de outros períodos, é real e notável. Reversão do caos e, para surpresa de alguns (tantos), maio fechou no azul depois de muitos anos.

O que podemos aprender apenas com a análise de um mês observando atentamente os mercados no Brasil é fascinante. Podemos dividir este aprendizado em dois pontos.

Em primeiro lugar, lembremo-nos de uma das leis mais importantes das finanças: o passado não é capaz de descrever o futuro. Isso não significa que você não possa ter suas previsões, mas, que fique bem claro, o conjunto de dados passados, por si só, não consegue apontar direções futuras. Isso porque a quantidade de variáveis é imensa e, entre gestão interna das empresas e cenário externo que as rodeiam, tudo pode mudar e causar mudança na previsão realizada inicialmente. Caso seja considerado apenas o histórico de preços então, fica ainda mais difícil de apontar com maiores certezas a direção futura.

Outro aspecto importantíssimo é o institucional do Brasil. Tendo em vista nossa enorme gama de questões ainda a serem resolvidas – como a previdência, a simplificação tributária, a infraestrutura, dentre outras -, sinais de que alterações podem ocorrer ou que haverá continuidade do mesmo fazem muita diferença (além do que a própria gestão de cada empresa consegue direcionar). O anúncio de uma concessão de rodovias pode melhorar a logística e deixar as previsões futuras mais positivas (com uma queda de custo logístico), mas quando se anuncia por exemplo que o saneamento básico não será concedido à iniciativa privada, alguns investimentos que dependiam da expansão desta malha sanitária deixarão de ocorrer. Por aqui, essas duas coisas podem acontecer dentro do mesmo mês.

Provavelmente, se neste maio, que se encerrou na semana passada, o negativo tivesse prevalecido, a tese do “neste mês sempre observamos quedas” teria ganhado um ponto a mais no tempo – e mais adeptos para os próximos anos. Porém, sabendo que o passado não descreve o futuro (ainda mais por aqui), fique esperto quando ler previsões certeiras sobre um futuro “igual ao que já se viu”.

 

Terraco Econômico Terraco Econômico

Parceiro Guide

Hoje o maior blog independente de economia do Brasil, foi criado por 4 amigos em 2014, o motivo? Fornecer análises claras e independentes sobre economia e finanças, sempre com a missão de informar o leitor.

264 visualizações

relacionados

Utilizamos cookies para melhorar a sua navegação

Entendi
Bitnami