Lockdown: É possível fechar o Brasil?

Uma doença que inicialmente surgiu na província chinesa de Wuhan, o Coronavírus, espalhou-se rapidamente por toda a região. De maneira igualmente rápida, o vírus da doença, que passou a ser intitulada como Covid-19, tornou-se internacional, chegando a outros países asiáticos, e, posteriormente, “desembarcando” também em países da Europa e da América do Sul e do Norte.

O Covid-19, que alcançou status de pandemia, também chegou ao Brasil, por enquanto não com a mesma intensidade que países como Coreia do Sul, Itália, Espanha e EUA, mas esse cenário tende a se alterar com a situação no Brasil agravando-se dentro de poucos meses, momento em que a transmissão da doença estará no pico por aqui. Assim, considerando essa previsão quase inevitável – realizada com base em fontes confiáveis -, o que fazer?

Infelizmente, não existe uma solução pronta e fácil para combater um problema com tamanha complexidade, – nesses casos, o remédio costuma ser tão amargo quanto a própria doença -, mas, por sorte, ainda há a opção de acompanhar práticas que já estão sendo adotadas – e com algum nível de sucesso – em outros países. O que vem sendo posto em prática por países como Itália, Espanha e França é um lockdown a nível nacional. Esses países se fecharam, sendo restringida a abertura de comércios e até mesmo a movimentação de pessoas pelas ruas. De maneira geral, e salvo algumas exceções, a regra é ficar em casa, evitando-se ao máximo qualquer tipo de aglomeração e contato social. Outros dois exemplos de considerável sucesso são Singapura e Coreia do Sul, que focaram em testar o máximo de pessoas possível para o coronavírus e também restringir fortemente eventos e aglomerações..

Em Terra Brasilis, a coisa parece ser diferente do resto do mundo: protestos neste domingo, dia 15/03, levaram até o Presidente da República a sair do isolamento em que se encontrava e cumprimentar alguns apoiadores. Nada contra os protestos, independente de qual natureza e orientação política sejam. Mas é no mínimo assustador e irresponsável que aquele que deveria representar o exemplo máximo do país faça o contrário do que se recomenda em tempos de pandemia, principalmente levando em conta o contato direto que teve com pessoas contaminadas com o vírus nos últimos dias.

Em um momento que demanda bastante cuidado, é preciso no mínimo se questionar: não seria correto partirmos para um lockdown no Brasil?

É bem claro que um lockdown nacional não é uma solução simples, trata-se de uma medida drástica com implicações bastante amplas, sobretudo para o campo da Economia. Para compreender melhor isso, basta que façamos um simples exercício mental, imaginando lojas fechadas, aeroportos com voos cancelados e hotéis vazios. Tudo isso se choca diretamente contra os princípios básicos da Economia, entre os quais estão a importância do livre comércio.

A ameaça de uma disseminação do Covid-19 no Brasil já foi o suficiente para derrubar a Ibovespa. Trata-se de um tombo histórico de 39%, resultado pantagruélico que pegou de surpresa analistas de mercado experientes, algo que mostrou a pujança de uma doença encarada inicialmente – de forma totalmente errônea – como um simples resfriado. No caso de uma epidemia, no sentido estrito do termo, os impactos são impossíveis de prever.

Para combater o Covid-19 algo drástico e rápido deve ser feito, muito diferente da letargia atual de grande parte dos governantes e da população em geral, que ainda continua negligenciando os efeitos dessa pandemia. Nesse contexto, um lockdown no Brasil parece ser algo inevitável, senão agora, mas num futuro muito próximo.

Ou então podemos aguardar. O que tem potencialmente um elevado custo econômico, social e de saúde. Em caso de dúvidas, veja a situação da saúde da Itália e se pergunte com sinceridade se vale a pena arriscarmos o mesmo por aqui.

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