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Desde 1965, Warren Buffett, por anos o homem mais rico do mundo, escreve uma carta anual aos acionistas de sua empresa, a Berkshire Hathaway, comentando sobre o resultado da empresa no último ano. Nela ele escreve suas expectativas para o futuro e explica, de maneira muito simples, sua filosofia de investimento. Leitura obrigatória para quem se considera um investidor.

As cartas, a partir de 1997, estão disponíveis neste link. Não se assuste com a simplicidade do site. Por incrível que pareça este é sim o site oficial da empresa.

A carta deste ano foi enviada neste sábado e está disponível aqui.

Humildemente peço licença ao Oráculo de Omaha e listo abaixo os pontos que mais me chamaram atenção na carta deste ano. Uma verdadeira aula sobre investimentos e o poder do longo prazo!

• O poder dos juros compostos: logo na primeira página um número chama a atenção: o retorno, em valor de mercado, das ações da empresa. Impressionantes 2.404.748%. Ou seja, um aumento de 24.046 vezes no período de 53 anos. No mesmo período, o S&P 500 subiu, não menos impressionantes, 15.508%. Em termos anualizados, o S&P subiu, em média, 9,9% ao ano, enquanto as ações da Berkshire subiram 20,9%. Parece uma pequena diferença no curto prazo, mas tem um impacto incrível no longo prazo.

• Histórico de rentabilidade: o investidor mais impaciente, aquele que compra e vende ações ou fundos baseado apenas no resultado do último ano, haveria tirado seu dinheiro das mãos de Buffett já em 1973. As ações somente voltariam a bater o mercado em 1976. Isto aconteceu mais algumas vezes ao longo da história da companhia, e, nesta carta, Buffett lembra que grandes quedas nas ações deverão acontecer nos próximos 53 anos.

• O que são ações: ações não são simplesmente símbolos e gráficos que você vê na tela de seu computador, nem menos ativos que se compram por conta da opinião de especialistas da mídia. Ações são, antes de tudo, negócios. Se o negócio da empresa tiver sucesso, o investimento na ação desta empresa também terá.

• Compre e venda pelos motivos certos: Ao longo da carta ele explica que apenas compra empresas pelos motivos que considera inteligentes: bons negócios a preços justos. Quando esta equação muda, ele as vende. Comentando o porquê das poucas aquisições nos últimos anos ele se volta ao lema: “Quanto menos prudentes os outros conduzem seus negócios, com mais prudência devemos conduzir os nossos. ”

• Risco: Investir é deixar de consumir hoje para consumir mais no futuro. O verdadeiro risco de quem investe é não atingir este objetivo; e não a oscilação dos preços. Esta, quando negativa, para Buffet, é uma oportunidade. Ele também lembra que a Berkshire foi construída com tal diversificação de ativos que seria capaz de passar por cenários extremos de descontinuidade econômica. Além disso, a empresa possui hoje, em caixa, $ 116 bi para compras quando o momento apropriado chegar. Este momento será aquele no qual todos os outros estarão em pânico, acredito eu.

• Alavancagem: O Oráculo não gosta de alavancagem, em especial para comprar ações. Uma tabela mostra quatro períodos nos quais a ação da Berkshire caiu cerca de 50%. Quem tivesse tomado dinheiro emprestado para comprar suas ações estaria em maus lençóis. Além do risco de se perder mais do que se tem em ativos, Buffet nos lembra que são nestes momentos que a mídia estará colocando mais medo nas pessoas e que você não tomará boas decisões. Principalmente, se estive alavancado.

• Irracionalidade do mercado: Apesar dos mercados serem geralmente racionais, ocasionalmente eles fazem coisas malucas. Segundo Buffett, aproveitar as oportunidades oferecidas pelo mercado não requer inteligência acima da média ou um diploma em economia. Requer a habilidade de ignorar o medo ou a euforia das massas e focar em fundamentos simples.

A carta contém uma série de outras passagens memoráveis, assim como todas as outras cartas antes desta. Meu conselho: leia o original!


Ivens Gasparotto Filho Ivens Gasparotto Filho

Planejador Financeiro

Atua há mais de 10 anos no mercado financeiro, trabalhando diretamente com investidores pessoa física e planejamento financeiro pessoal. É CFA charterholder, profissional certificado pelo CFA Institute, possui também a certificação de gestores CGA, da Anbima. Estudou Gestão de Portfólios de Ativos na London Business School, é pós-graduado em Finanças pela FGV e formado em Administração pela Universidade de Brasília.

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