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Henry Sobel: Um homem, um rabino

A partir da mobilização de vários indivíduos para atingir um objetivo bem definido, é possível fazer coisas incríveis no mundo. Alguns indivíduos, em especial, conseguem obter grande destaque de maneira individual, mesmo aqueles que possuem uma trajetória marcada por imperfeições e que estejam longe da unanimidade entre as pessoas.

Em relação a esses homens, sempre há uma história oculta, mas que gostamos de julgar antes mesmo de conhecê-la com detalhes. É o caso do Rabino Henry Sobel, por muitas vezes lembrado apenas pelo fatídico episódio do furto das gravatas em Miami, ocorrido em março de 2007 e que faleceu aos 75 anos também em Miami, decorrente de complicações associadas a um câncer.

Mas sua história pela democracia e pelo povo judeu no Brasil se sobrepõe com sobras em relação ao episódio das gravatas e acaba se misturando com a própria história política brasileira. Um pouco da trajetória, opiniões e escolhas feitas pelo Rabino foi retratada por ele em uma biografia lançada em 2008, na qual a sinceridade e a humildade se sobressaltam ao longo das páginas do livro.

Sobel é reconhecido pelo seu sotaque forte, pelas frases curtas e pelo seu trabalho de décadas à frente da Congregação Israelita Paulista (CIP), sediada no Bairro da Bela Cintra, São Paulo. Mas uma história chama a atenção: após a morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, Sobel duvidou publicamente da versão dos militares, que argumentaram que Herzog havia tirado a própria vida. Com isso, determinou o enterro do jornalista em região comum do cemitério, e não em localidade afastada, devido às leis específicas do judaísmo para quem cometia suicídio, considerado um atentado à vida.

Se perguntassem quem havia autorizado tal atitude, o rabino não pestanejava: “Se alguém perguntar, diga que é um pedido do rabino Sobel”. Além disso, desafiou o regime ao celebrar um culto ecumênico na Praça da Sé dias depois, juntamente com o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

Mas sua dedicação ao judaísmo e a CIP trouxe marcas duradouras em sua vida privada: a própria família (esposa e filha) reclamava constantemente de sua ausência em casa, devido à dedicação intensa ao trabalho.

Henry Sobel sequer é unanimidade – longe disso – dentro da comunidade judaica, por suas posições tidas como reformistas, mas sua história é importante para lembrarmos que nossos erros e decisões moldam quem nós somos e que nossa atuação ativa pode mudar a vida de muitas pessoas e do país que vivemos. Em uma época que muita gente sequer sabia o que era um judeu e sua prática religiosa, Sobel tomou a linha de frente no começo de década de 1970 e tornou-se o líder religioso mais conhecido do judaísmo no Brasil.

O rabino Sobel lembra-nos a todo instante que somos imperfeitos, mas pequenas atitudes podem fazer toda a diferença para as nossas vidas e para aqueles que nos rodeiam. Foi um humanista, um defensor dos direitos de judeus e não-judeus, um homem apaixonado pela vida, que cometeu erros e humildemente reconheceu-os. Por seus inúmeros acertos e também pelos erros, lembrar de sua trajetória vale a pena.

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