Fique por dentro do mundo da economia!


CADASTRE-SE AQUI

Há consenso sobre os mercados internacionais?

Nos últimos dias, além do incerto desfecho quanto ao Brexit, no Reino Unido, o cenário internacional acompanhou com atenção à deterioração das perspectivas econômicas na Zona do Euro e ao início de um processo de impeachment contra o presidente Donald Trump, nos EUA. Além disso, continua no radar a tal “guerra comercial”. São, no final das contas, incertezas que permeiam o cenário econômico. Há poucos dias, escrevi um resumo deste confuso cenário internacional, abordando os destaques. Mas, neste contexto, um questionamento segue válido: a despeito de tantos riscos, as bolsas americanas seguem próximas de suas máximas históricas, por exemplo. Como explicar o desempenho recente dos mercados vis-a-vis o noticiário? Há consensos quanto aos mercados internacionais?

Foram exatamente estes os questionamentos que o respeitado jornalista John Authers, da Bloomberg, se fez há poucos dias. Segundo ele, a situação dos ativos americanos não é tão favorável como poderíamos imaginar à primeira vista. Afinal, a valorização de muitos ativos deve-se à postura mais defensiva que muitos investidores têm adotado no período mais recente, e não o contrário. Isto pode ser visto a partir de uma pesquisa global do Bank of America Merrill Lynch, feita com gestores profissionais. Observa-se o chamado comportamento de “risk-off”, quando analisada a alocação de ativos, e o fluxo de recursos indo em direção aos ativos mais seguros, em detrimento àqueles mais arriscados. Registre-se: o fluxo de recursos, segundo tal levantamento, estaria negativo em mercados como os de Reino Unido, Zona do Euro e países emergentes, e positivo para os EUA.

Não há como negar que o temor de uma recessão em algum lugar do planeta (não necessariamente nos EUA!) cresceu nos últimos meses. A mesma pesquisa do Bank of America Merrill Lynch mostra isto num gráfico (veja a seguir). Tal temor tem aumentado, e está nas máximas desde agosto de 2009. Exagerado, ou não, o ponto é que isto parece explicar, ao menos parte, da valorização de diversos ativos nos EUA. O dólar e o ouro, por exemplo, são também exemplos claros deste comportamento dos investidores, rumo aos ativos mais seguros. Aliás, diante de taxas de juros negativas em diversos lugares do mundo, os títulos soberanos, vistos (na maioria das vezes) como uma classe de ativos mais conservadora, têm aberto espaço para uma maior demanda por ouro, diga-se de passagem (um ativo que, obviamente, não paga juros).

Segundo Authers, há uma grande dúvida na cabeça dos gestores profissionais quando estes pensam sobre os ativos nos EUA. Embora domine (cada vez mais) uma visão mais negativa sobre a economia mundial, como irão se comportar os ativos nos EUA, em particular? Para os próximos 12 meses, não há convicção sobre a direção do dólar e os juros dos títulos do Tesouro de 10 anos, por exemplo — ativos que funcionam como termômetros e referências no mercado internacional. Parece claro que, se o mundo encarar uma recessão importante num futuro próximo, há ainda substancial espaço para pioras nos ativos de risco. Isto aumentaria o viés de valorização do dólar mundo afora, por exemplo. Neste momento, é imprescindível tentar entender a razão por trás da valorização de alguns ativos nos EUA.

 

 

Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE) e em Finanças pela Barcelona Graduate School of Economics (BGSE). Graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Entre 2013 e 2018, atuou como economista da Guide Investimentos, cobrindo o mercado doméstico e os internacionais, e sendo um dos responsáveis do asset allocation dos clientes. Desde 2018, atua como consultor Guide Investimentos, cobrindo principais eventos do cenário internacional e escrevendo artigos semanais para o blog.

108 visualizações

relacionados

Utilizamos cookies para melhorar a sua navegação

Entendi
Bitnami