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Futebol Brasileiro: dinheiro não é o problema

Os times do futebol europeu tendem a ser muito superiores aos times brasileiros, nos mais diferentes aspectos, que vão das quatro linhas até aos bastidores. Em relação a essa constatação, que está longe de ser mero ponto de vista, muitos poderiam mencionar o fator dinheiro como o principal problema responsável por essa enorme discrepância.

Claro, o dinheiro é sim um fator importantíssimo para explicar o porquê das equipes da Europa serem – em grande parte -, muito mais competitivas que as equipes do Brasil, mas está longe de ser o fator mais importante. Até porque, poderíamos pegar exemplos de clubes europeus com menor poder financeiro – vamos esquecer dos gigantes Real Madrid, Barcelona, Juventus, etc -, a exemplo de Leicester, Getafe, Borussia Dortmund, Red Bull Salzburg, entre outras, que não esbanjam grande poderio econômico em contratações caríssimas, mas que mesmo assim, conseguem ser competitivas em suas ligas, sendo capazes de praticar um bom futebol e de fazer boas campanhas.

Outra questão que, para usar um termo da moda, pode “refutar” o dinheiro como o ativo principal do sucesso das equipes europeias, são alguns cases do futebol brasileiro em 2019. Os dois antigos Palestras, atualmente conhecidos como Cruzeiro e Palmeiras, são exemplos de grandes equipes brasileiras que gastaram muito, mas que não obtiveram o retorno desses gastos em campo.

O Palmeiras que gastou R$140 milhões em contratações no ano de 2019, já havia gasto cerca de R$ 537,00 milhões com o seu departamento de futebol em 2018 (um aumento de cerca de 45% em relação ao ano de 2014), mas como contrapartida, não ganhou absolutamente nada em 2019, apresentando conquistas pífias nos últimos anos face aos enormes investimentos. A situação do Cruzeiro, maior equipe do estado de Minas Gerais, é ainda mais aterradora e merecedora de atenção, dado que em 2019 o gigante celeste gastou R$ 14 milhões mensais com salários de jogadores (valor superado apenas pelo Palmeiras), e o resultado foi uma desastrosa campanha no Campeonato Brasileiro que culminou com o inédito rebaixamento para a Série B da competição nacional.

Se gastos exorbitantes não implicam necessariamente em sucesso nas quatro linhas, times de futebol com orçamento menor podem, por outro lado, ser extremamente competitivos, a exemplo do Athlético Paranaense na temporada 2019. Com a sétima menor folha de pagamento entre as equipes da Série A do Campeonato Brasileiro, o Athlético desbancou equipes com elencos muito mais caros, conseguindo ganhar o título da Copa do Brasil na última temporada.

Desse modo, o sucesso no futebol vai além da questão puramente monetária, dado que percorre por outros quesitos, como: organização, credibilidade, coerência, ética e transparência. Sobre isso, o exemplo do gigante Cruzeiro pode ser usado novamente. Dado que a desastrosa campanha da equipe estrelada ocorreu justamente por falta total de organização da gestão orçamentária, de credibilidade no mercado, e ausência completa de coerência, ética e transparência nas contratações realizadas ao longo do ano. Como consequência, além do rebaixamento inédito, o clube acumula quase R$ 700 milhões em dívidas, tendo respondido (e perdido) diversos processos devido ao não cumprimento de contratos e pela realização de acordos pouco republicanos.

A partir de casos de insucesso no futebol brasileiro, e da diferença deste em relação ao futebol europeu, a migração de associação esportiva para o modelo de clube-empresa ganha força. Isso é muito devido ao exemplo dos próprios clubes europeus, dado que em países como Inglaterra, Portugal, Itália e Alemanha, a grande maioria dos clubes seguem o modelo de clube-empresa. Esse modelo se bem adotado, pode aumentar o profissionalismo no futebol brasileiro, melhorando a sua gestão e consequentemente gerando melhores resultados dentro de campo, de maneira sustentada ao longo prazo.

Mas a migração para o modelo de clube-empresa não pode ser vista apenas como uma forma de obter algum mecenas endinheirado disposto a comprar jogadores caros. A questão é mais sofisticada, envolvendo eficiência e qualidade de gestão, algo que vai muito além das cifras monetárias. Depois de todos os exemplos vistos, podemos concluir que para as equipes brasileiras de futebol, dinheiro não é o problema, mas também está longe de ser a grande solução.

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