Fluxo de Caixa Livre e a Taxa de Desconto Adequada

Olá, investidores! No último texto, abordei o que é esse tal de valor intrínseco que tanto ouvimos falar. Hoje, como prometido, abordarei duas coisas: como calcular os fluxos de caixa livre e a qual taxa de desconto segundo a qual devemos descontá-los.

Fluxo de Caixa Livre (FCF)

Muitos investidores e analistas acreditam que os lucros das empresas são dotados do poder de impulsionar os preços das ações. Isto está 99% correto. No entanto, assumir que o lucro líquido é o valor da receita que resta aos acionistas depois que todos os custos e despesas forem contabilizados não é totalmente certo.

A razão, para isso, é que a metodologia contábil não consegue ser 100% eficaz em demonstrar a performance financeira e operacional da empresa, criando algumas armadilhas e distorções.

Mas não se preocupe com isso. Podemos estimar o verdadeiro determinante do valor de um investimento calculando o fluxo de caixa livre.

Mas o que é essa métrica tão importante e como calculá-la?

Podemos começar definindo como um fluxo de caixa que é livre. É o dinheiro que pode ser distribuído para os investidores uma vez que todos custos, despesas (caixa e não-caixa), investimentos (em capital de giro e bens de capital) e impostos já foram deduzidos.

Ou seja, depois de pagar os custos, as despesas que consomem caixa e investir em contas a receber, estoques e ativos fixos, o que sobrou está livre para a gestão utilizar da forma que julgar melhor para a empresa e seus acionistas.

Existem cinco possíveis usos para o fluxo de caixa livre: a) dividendos; b) recompra de ações; c) pagamento de dívida; d) aquisições; e) reinvestir em novos projetos. A decisão dependerá das taxas incrementais de retorno que podem ser obtidas com os novos investimentos, do grau de alavancagem da empresa e da forma que os gestores acharem adequadas para remunerar os acionistas.

Para calcular o Fluxo de Caixa Livre, devemos considerar o cálculo do lucro operacional líquido depois de impostos, somar a depreciação e amortização (não são despesas caixa), subtrair a variação no capital de giro e subtrair as despesas com CAPEX.

Agora, você já tem uma melhor ideia do que é o Fluxo de Caixa Livre. No entanto, no último artigo, afirmamos que o valor intrínseco de uma empresa é calculado estimando os fluxos de caixa livre futuros e descontando-os por uma taxa adequada.

Taxa de desconto

Um professor de finanças diria que essa taxa é o Custo Médio Ponderado de Capital, em inglês, WACC (Weighted Average Cost of Capital).

Uma empresa financia seus ativos via capital próprio ou capital de terceiros. O WACC é a taxa de retorno exigida para satisfazer os credores e acionistas. Poderíamos aqui entrar nos detalhes de sua fórmula, mas não acho pertinente.

Não acho que o investidor pessoa física deva se preocupar com o WACC, pois ele possui uma série de falhas. A maior delas é a tentativa de definir matematicamente o risco. Para isso, alguns acadêmicos afirmam que volatilidade é igual a risco, o que não concordamos.

Para se ter uma noção, Warren Buffett também não utiliza WACC como a taxa de desconto em seus investimentos.

Então que taxa de desconto devemos utilizar?

Para Buffett e Charlie Munger, tudo é uma questão de custo de oportunidade, o valor que você renuncia ao tomar uma decisão de investimento.

Segundo os sócios da Berkshire Hathaway: “Nós apenas tentamos fazer a coisa mais inteligente possível com o capital que temos. Nós comparamos tudo com nossas alternativas, são elas que importam. Tentamos adivinhar o nosso custo de oportunidade futuro. Buffett acredita que ele terá a oportunidade de investir capital com altas taxas de retorno, por isso não está disposto a investir em menos de 10% agora.”

Ou seja, se você acredita que pode investir seu dinheiro a taxas de 12% ao ano, por exemplo, não faz sentido investir em outro ativo, do mesmo risco, que renderá 10%. Portanto, seu custo de oportunidade é 12%, e você só aceitará investimentos, do mesmo risco, que render mais do que isso.

Mas como começar estimando o seu custo de oportunidade? Bom, todos têm a oportunidade de comprar um ETF do Ibovespa que replica as principais ações negociadas em bolsa a uma baixa taxa de administração.

Suponha que você acredite que o Ibovespa vá render 10% ao ano. Dessa forma, seu custo de oportunidade é 10% e você só aceitará investimentos que render mais do que isso. Portanto, a taxa de desconto a ser utilizada para descontar os fluxos de caixa futuros neste caso é 10%.

Agora você já sabe como calcular o FCFs e a que taxa os descontar. No próximo artigo trarei um exemplo fictício de valuation.

Até a próxima!

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