Febre suína africana: situação de alerta na Ásia

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A febre suína africana, uma doença viral altamente contagiosa e 100% letal a suínos, tem assolado a Ásia desde o ano passado. O primeiro surto da doença foi reportado na China em agosto de 2018 e, desde então, tem se espalhado pela região de forma avassaladora. Não existe vacina de cura nem de prevenção para o vírus, que ataca todos os tipos de suínos – de javalis selvagens a porcos domésticos –, e leva o animal à morte em 2 a 10 dias (na média) após o contágio. A doença não tem efeitos diretos sobre seres humanos, mas o impacto sobre a produção de carne e sobre o controle da vigilância sanitária internacional pode ser imensurável, uma vez que as únicas medidas de contenção são o isolamento das áreas afetadas e o abate dos animais infectados.

Com isso, as principais implicações da situação vivida no continente asiático são econômicas e comerciais, uma vez que a China é responsável por mais da metade produção de carne de suínos do planeta (54 milhões de toneladas em 2018), que é justamente o tipo de carne mais consumida no mundo (110 milhões/t contra 60 milhões/t de carne bovina). Até o momento, o governo chinês estima uma perda de cerca 13% do rebanho de suínos do país, o que, segundo o relatório do Departamento da Agricultura americano, deve resultar em uma queda de 5% na produção, um salto de 33% das importações da carne suína e um aumento de 20% nas importações de carne bovina – que será usada para suprir a falta de carne de suínos – em 2019.

Na ótica dos preços, ainda não se pode calcular o impacto definitivo que a febre suína terá, uma vez que a oferta de carne suína se encontra elevada por conta do abate precoce dos animais, que está sendo usado como prevenção contra perdas por criadores. Por isso, o impacto sobre o preço do bem deve se intensificar no médio/longo prazo. Além disso, até que os focos da doença sejam contidos, será difícil estimar a magnitude dos danos à produção. Desde o surgimento do vírus, o receio em torno do corte de produção já resultou em uma queda de 22% do preço do farelo de soja – usado na alimentação de porcos – na Dailan Commodity Exchange (bolsa de futuros chinesa), e em um aumento de 9% no preço de suínos no atacado.  Em suma, o esperado é que uma queda mais aguda no preço da soja deve ocorrer já no curto prazo, enquanto no médio/longo prazo, quando a falta de oferta começará a ser sentida, o preço de proteínas deverá apresentar uma valorização mais elevada.

Os últimos desenvolvimentos em torno do caso se deram no fim de março quando, após uma pausa de 40 dias, a China voltou a sinalizar a descoberta de novos focos da doença. O governo chinês segue reforçando que tem uma “tarefa árdua”, e garante não estar medindo esforços para conter a doença: estima-se que já foram abatidas mais de 1 milhão de animais, o transporte de porcos para regiões não afetadas foi banido e tradings do bem foram fechados. Não se pode calcular ainda quanto tempo levará para controlar a situação, mas a situação sanitária asiática parece estar fugindo do controle: na semana passada, foi descoberto um foco da doença no Vietnã, país que até recentemente não tinha reportado nenhum caso da doença. Vamos acompanhar…

 

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