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Exclusivo: Economia brasileira por Cassiano Ciampone, AZ Quest

Nesta última semana tivemos o Simpósio de Ações aqui na Guide. Um evento com grandes nomes do mercado financeiro para falar sobre o que vem acontecendo no Brasil e no mundo. Cassiano Ciampone, da AZ Quest, falou sobre o atual cenário econômico e ações brasileiras. Veja abaixo seu artigo com exclusividade e também um vídeo do evento:

É com enorme orgulho que recebi o convite para participar do último Simpósio de Ações promovido pela Guide Investimentos, onde tive a oportunidade de debater e expor o nossa visão positiva para a economia e para o desempenho das ações brasileiras. Essa carta é um resumo do que foi apresentado neste e em outros eventos que tenho participado, nos últimos meses.

Se houve um tema central em nossas discussões na AZ Quest nos últimos três anos e que, consequentemente, foi explorado em nossos portfólios, foi a expectativa de crescimento dos lucros das companhias brasileiras, diante de um quadro que combina a lenta retomada da economia com a melhora da situação dessas empresas em termos operacionais e financeiros.

Essa visão otimista se mostrou acertada, mesmo em um ambiente de revisões de crescimento de PIB e baixa confiança de consumidores e investidores, além da crescente incerteza no quadro externo. Quando olhamos o resultado das empresas nesse período, com destaque para aquelas mais ligadas à dinâmica local, muitas foram capazes de manter taxas de crescimento de lucro acima de 20% ao ano. Obviamente, o mercado percebe e precifica isso em suas ações, que vêm apresentando forte valorização há três anos.

O principal fator de incerteza recente dos mercados veio do conturbado cenário internacional e dos seus impactos no crescimento global. Em meio a tweets, anúncios de tarifas  e alguns recuos estratégicos de negociação, a disputa comercial entre EUA e China atingiu seu período mais agudo desde o início da disputa em abril/18. A disputa afeta confiança de consumidores e investidores, diminuindo as expectativas de crescimento, com maior impacto no comércio internacional e na indústria.

Na AZ Quest, entendemos que a guerra comercial é parte de um novo conflito geopolítico mais amplo, que tem como pano de fundo a supremacia entre as duas superpotências. Com diferentes interesses em jogo, a probabilidade redução da tensão no curto prazo é baixa. Há ainda o Brexit, a crise na Argentina, a tensão com o Irã, o que faz com que o sentimento risk off generalizado e o aumento da volatilidade devam perdurar.

Ainda que o quadro internacional não ajude, nosso cenário base não contempla uma grande crise ou choque externo, já que os formuladores de política econômica ainda têm espaço para implementar novos estímulos fiscais e monetários, diante de um quadro de baixa inflação. Vemos estímulos programados nos EUA (corte de juros), Zona do Euro (pacote do ECB com corte de juros e compra de ativos) e China (estímulo fiscal) nos próximos meses. O tamanho do auxílio ainda não parece suficiente para reverter o efeito negativo do aumento de incerteza, mas será suficiente para evitar um colapso da economia global, com maiores impactos em uma economia fechada como a nossa.

No Brasil, já destacávamos em nossas cartas do início do ano, a visão positiva para a retomada gradual da atividade, com base em um ambiente de recuperação da confiança em função de uma menor incerteza fiscal e da intensificação do estímulo monetário, condições que devem sustentar a aceleração da demanda privada (consumo das famílias e investimento). Tenho mencionado nas apresentações e palestras que tenho realizado que “o Brasil está ponto para decolar”.

Agora, se é fato que o crescimento do PIB do primeiro semestre ficou próximo de zero, por que não decolamos? Na minha visão, os baixos índices de confiança estão no cerne da questão. Além do cenário externo já descrito, entendo que contexto político ruidoso e o ritmo não linear no processo de aprovação da reforma da previdência certamente contribuíram para a postergação de importantes decisões de consumo e investimento. Ou seja, o gatilho do crescimento não ocorreu porque a incerteza se manteve.

Ao longo dos últimos anos, seguidamente nos frustramos com a retomada da atividade econômica, o que refletia a baixa disposição do setor privado em ocupar o espaço deixado pelo setor público em um ambiente de elevada incerteza, a despeito da queda da taxa de juros. No entanto, é importante lembrar que o texto da Reforma da Previdência aprovado na Câmara dos Deputados prevê uma economia fiscal superior a anteriormente esperada pelos analistas, o que garante redução substancial do risco fiscal brasileiro, e, consequentemente, retira um fator de entrave relevante para as decisões de longo prazo dos agentes econômicos.

Evidentemente, a reforma da previdência não é suficiente para levar à aceleração da atividade por si só. É nesse ponto que entram elementos de estímulo que me leva a crer que a atual expectativa do mercado para o crescimento será superada depois de anos de frustração. Na AZ Quest projetamos um crescimento de PUB de 2,5% em 2020. Em primeiro lugar, temos o impacto dos cortes de juros promovidos pelo Banco Central, que que têm espaço para ir abaixo de 5,0%. Soma-se a isso, a liberação de cerca de R$ 42 bilhões vindos dos saques das contas ativas e inativas do FGTS, montante que demostrou impacto positivo na atividade em 2017. Esses impulsos, aliados à redução da incerteza e melhora do ambiente de negócios em função da agenda de reformas microeconômicas, devem permitir a recuperação gradual da economia brasileira ao longo do segundo semestre, movimento que deve ganhar velocidade no próximo ano.

Paralelamente ao otimismo acerca da perspectiva econômica, estamos bastante animados com o quadro apresentado pelas empresas brasileiras. Após anos de compressão de margens, queda nas vendas e nos lucros, consequência da recessão econômica, as empresas brasileiras se viram obrigadas a promover uma série de ajustes internos (redução de quadro, corte de despesas, redução de dívida etc), a fim de atravessar esse período difícil. O resultado desse ajuste é que hoje temos companhias muito mais eficientes, tanto do ponto de vista operacional quanto financeiro e que aguardam ansiosamente o crescimento econômico e, consequentemente de vendas, para divulgarem lucros ainda mais explosivos.

As perspectivas são boas e ainda não totalmente precificadas pelo mercado. Ainda que as ações brasileiras tenham apresentado forte valorização nos últimos anos, a cesta do Ibovespa segue sendo negociada em linha com sua média histórica, apesar da queda nos juros e das taxas de descontos.  Quando analisamos o múltiplo do rendimento de ganhos sobre o valor de mercado, ou seja, Earnings Yield/ market cap, subtraídas as taxas de juros reais de um ano, observamos que este índice está um desvio padrão acima de sua média histórica, sugerindo que os preços das estão atrativos quando comparados ao atual nível de taxas de juros projetado.

Ou seja, ainda vemos uma ótima oportunidade para compra de ações brasileiras, em especial do grupo chamado cíclicos domésticos, ou seja, aquelas para empresas e setores mas impactadas pela retomada da economia brasileira.

Estou certo que, seguindo nosso processo de investimento que foi testado nos mais diferentes cenários, mantendo uma equipe de profissionais de alta qualificação, sempre alinhados com os interesses dos nossos cotistas, seremos capazes de seguir entregando os resultados consistentes que fomos capazes de apresentar nesses anos.

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