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Exclusivo: Análise macro por Adeodato Netto, Eleven Research

Nesta semana tivemos o Simpósio de Ações aqui na Guide. Um evento com grandes nomes do mercado financeiro para falar sobre o que vem acontecendo no Brasil e no mundo. Adeodato Netto, sócio-fundador e estrategista-chefe da Eleven Financial Research, falou sobre sua visão macro e política e resumiu os principais tópicos para o nosso portal também. Veja abaixo seu artigo com exclusividade e também um vídeo do evento:

Agosto veio como um rolo compressor para os mercados. Não somente o efeito na volatilidade com ativos balançando mundo afora, mas o choque de realidade com a “nova normal” das relações geopolíticas e, por consequência, econômicas.

 A alta volatilidade do mês de agosto fez muita gente acordar para a complexidade da tarefa de alocação de recursos no momento. Há uma suposta busca por ativos “livres de risco” durante os períodos de ruídos mais agudos, mas lá no fundo, está todo mundo repensando esta história de risco ou livre de risco. Vale lembrar que gestor que não toma o tal do risco, acaba entregando seu apartamento no Upper East Side e torcendo para encontrar uma oportunidade de revolucionar as finanças em Washington Heights.

 Não há mais tal coisa como ativo sem risco. A enxurrada cavalar de recursos durante os quantitative easings, combinada com a transformação da dinâmica da liquidez dos mercados e dos atuais yields bagunçou o coreto global e incinerou cartilhas que nortearam investidores ao longo de décadas.

 Ainda há uma parte importante da esperança calçada na reacomodação dos ânimos globais e da recomposição da normalidade (?) nas relações internacionais, nos termos de troca, nos níveis das moedas e por consequência, a retomada da previsibilidade para as estratégias de investimento. Na nossa visão, nem um conto de fadas moderno poderia (ou deveria) desenhar um final feliz (muito menos breve) para o descaminho que vem sendo desenhado mundo afora.

 Então é hora de correr? Não! Tudo acontece muito lentamente. Lembrem-se que há dezenas de trilhões de dólares por aí e boa parte deles atualmente alocados em juros negativos. Os defensores desta disfunção apoiam-se na convicção de que a remuneração negativa não serve de seguro, mas sim como uma espécie de prêmio para que os agentes coloquem estes recursos em circulação e deles venha a salvação da atividade global.

 Infelizmente, esta verdade só nos parece factível em um mundo no qual todos lutam pelo bem comum, com objetivos convergentes e estão dispostos a ceder de maneira isonômica em prol do benefício coletivo. Mas as feridas expostas pelo tempo e pela polarização dos interesses estruturais não devem permitir uma nova onda de “mãos dadas” como a que foi vista pós-2008. Quer dizer, talvez depois do próximo cataclisma, e este esperamos que esteja relativamente longe.

 Aqui na Terra do Nunca, onde Peter Pan ainda acredita que somos uma ilha, os ativos são diretamente influenciados pelo fluxo internacional e pelas decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância, em algum lugar onde a verdadeira liga manda seus jogos. Reconhecer esta realidade não nos faz menores, como poderia se pensar, mas simplesmente (ufa!) mais realistas e nos prepara para jogar o nosso jogo de maneira mais eficiente.

 Em paralelo à volta das férias de verão nos EUA, nossa agenda legislativa ganha tração e pode trazer verdadeiro impulso ao nosso mercado, principalmente se reconhecermos o óbito inquestionável do interregno benigno. Evoluir de uma vez com a Reforma Previdenciária, endereçar as questões das privatizações e começar de fato um processo de abertura comercial são passos que podem ser dados com o que já temos à mesa. Para esta rodada de evolução, não precisamos de soluções mirabolantes, ou desenvolvimento de modelos advindos de ciência aeroespacial adaptada à economia e ao legislativo nacional.

 O jogo jogado abaixo do radar e fora das lentes, move as peças de maneira mais rápida, eficiente e definitiva do que os grandes promotores de ruído. Agenda positiva encaminhada consolida espaço para recuperação estrutural da economia e o desenvolvimento de longo prazo. Não precisa nem dar tudo certo, é só não dar muito errado!

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