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Enquanto a reforma não sai, a economia desaba

Na última terça-feira, a reforma a da previdência deu seu primeiro passo rumo a aprovação na câmara. Ela foi classificada como admissível pela comissão de constituição e justiça, a CCJ, e agora segue para o próximo passo que é a ser analisada pela comissão especial, onde poderá ter a sua substância alterada e só após a comissão especial, poderá seguir para o plenário da câmara onde será votado por todos os deputados. O problema é que a reforma demorou demais na CCJ e o tempo está andando contra o governo e contra a economia brasileira.

Não é novidade para ninguém que a economia brasileira está se recuperando da sua pior recessão. Entre no acumulado a economia se retraiu, entre 2015 e 2016, quase 8%. Nem mesmo a famosa crise do café de 1929, que estudamos na escola, fez tamanho estrago. Diferentemente da crise de 29, o grande processo gerador dessa crise recente, foi o desarranjo fiscal do governo, que passou a gastar mais que arrecadava e explodiu a dívida pública em relação ao PIB.

Desde então, o governo luta para reequilibrar as contas e fazer a economia voltar a ter um crescimento robusto. Porém para que isso aconteça é preciso que se aprove uma boa reforma da previdência, com uma economia em 10 anos superior a R$600 bilhões. Já discuti aqui neste blog, a importância da reforma, uma vez que mais da metade do gasto primário do governo federal é com previdência. Sem a reforma não existe a menor chance de melhora do quadro fiscal, e por consequência da economia brasileira.

O problema, é que a reforma é uma promessa que já dura pelo menos dois anos, desde que foi apresentada pelo governo Temer. A expectativa de dias melhores para o país depende de sua aprovação. Para se ter uma ideia, o mercado financeiro começou o ano esperando uma expansão da economia para 2019, de pelo menos 2,5%, porém com os sucessivos atrasos e dificuldades políticas que começaram a se impor sobre a reforma, tal número foi sendo revisto e hoje está ao redor de 1,7%. E quanto mais a reforma demorar, pior tal número ficará.

Caminhamos para o terceiro ano de crescimento fraco, em 2017 a economia cresceu 1%, em 2018, 1,11% e em 2019 o número será próximo de 1,5%. Para se ter uma ideia do quanto a economia está frustrada, existe uma chance não desprezível de que o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2019, seja negativo, isto é, indicando uma desaceleração na margem. Corremos o risco de mais uma vez ter um ano com crescimento muito baixo.

E crescimento baixo significa que o enorme número de pessoas desempregadas continuará desemprega, que as máquinas paradas continuarão sem trabalhar e que a economia irá prosseguir nessa dinâmica de elevada ociosidade. Além, de que com a demora da reforma, as contas públicas continuarão desarranjadas e o endividamento do governo só irá continuar a crescer.

O relógio não irá dar trégua, o governo precisa se empenhar para reformar rapidamente a previdência. Maior velocidade no trâmite da questão na câmara irá significar maior articulação política, algo que o governo ainda engatinha. Enquanto a previdência não passar, o crescimento econômico não irá retornar.

Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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