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Em pouco mais de um ano, no dia três de novembro, os americanos irão às urnas para escolher o comandante-chefe do Executivo. O atual presidente, Donald Trump, tenta garantir seu segundo mandato através da reeleição, mas o partido Democrata determinará um novo nome para enfrentá-lo nas eleições gerais.

No EUA, diferente do Brasil, só existe um turno de votos na eleição presidencial. Esse turno é disputado exclusivamente por dois candidatos, um do Partido Republicano e um do Partido Democrata. Porém, existem os primários partidários. Esses servem com uma espécie de primeiro turno, a principal diferença sendo que os primários são intrapartidários, ou seja, são segregados por sigla.

Durante a atual fase de pré-candidatura, vários nomes se apresentam como possíveis oponentes à reeleição de Trump. Nesta postagem, abordaremos, de forma breve, o perfil político e trajetória profissional dos três principais presidenciáveis democratas que disputarão os primários, que determinará o oponente eleitoral de Donald Trump.

A mais recente pesquisa, realizada pela revista USA Today, entre os dias seis e dezesseis de junho, aponta o ex-vice do Obama, Joe Biden, como líder das intenções de votos nos primários democráticos. O senador desponta na disputa pelo pleito com 30% das intenções de voto dos eleitores.

A carreira política do advogado teve início no Senado federal, em 1973, onde ingressou com a idade mínima determinada por lei para senadores, trinta anos. O senador permaneceu na casa legislativa, como representante do pequeno estado da costa leste, Delaware, por quase quarenta anos. Biden saiu do legislativo, em 2009, para formar chapa presidencial com Barack Obama.

O senador é visto como Democrata moderado. A fama de centrista é, em parte, resultado de alguns votos icônicos proferidos pelo legislador. O voto favorável à guerra do Iraque, que foi rejeitada por Obama, é um exemplo. Outra evidencia da sua postura balanceada, é seu relacionamento positivo e postura favorável diante o mercado e o sistema financeiro. Segundo o instituto de pesquisa American Conservative Union (ACU), durante seu tempo no Senado, Biden votou junto ao Partido Republicano, que opõem os Democratas, 12.67% das vezes. Taxa relativamente baixa para um Senador com fama de centrista.

Um dos principais empecilhos à candidatura do ex-senador é sua identidade. Os democratas prefeririam eleger uma mulher, de preferência de cor, termo usado no Estados Unidos para denominar não brancos. Biden é homem, branco e com idade avançada, como todos os presidentes que antecederam e procederam a Obama – fato muito relevante para as eleições americanas, onde o voto é facultativo.

O temor dos democratas é que o perfil de Biden, idêntico ao de Trump, não levará os eleitores democratas às urnas, como Obama fez com os Negros e Hillary Clinton com as mulheres, dois dos mais importantes blocos de votos para o Partido Democrata.

Além disso, a vantagem de Biden é, em grande parte, propulsionada pela visibilidade cultivada enquanto ocupou o cargo de vice. Durante os primários, outros candidatos menos conhecidos devem ganhar espaço e podem se aproximar ou superar aderência eleitoral do Senador.

Seguindo Biden, em segundo lugar nas pesquisas com 15% das pretensões de votos, se encontra Bernard Sanders, apelidado pelo eleitorado americano de Bernie. Sanders começou a lidar com questões políticas na década de sessenta, quando atuava como ativista. No início da década de oitenta, Bernie ocupou seu primeiro cargo público, quando foi eleito prefeito da pequena cidade de Burlington. Sanders foi reeleito três vezes à prefeitura da cidade do estado nordestino de Vermont. Na década de noventa, Bernie Sanders se tornou deputado federal. Durante seu mandato, ganhou fama quando opôs, sem êxito, a derrubada do ato Glass–Steagall, que visava manter segregados os bancos de investimos dos bancos comercias. Desde então, Bernie é o mais icônico inimigo de Wall Street no Congresso americano.

Bernie Sanders é da ala “social democrata” do partido, grupo que se encontra a esquerda dos democratas tradicionais e tem ganhado cada vez mais espaço dentro o partido.  O senador apoia a universalização da medicina – o Estados Unidos não tem sistema de saúde pública – , maiores alíquotas de tributação sobre os americanos mais afluentes e as empresas o aumento do salário mínimo, e fortes proteções ao meio ambiente com foco no combate ao aquecimento global.

O perfil racial, idade e gênero de Sanders são menos relevantes do que no caso de Biden, devido ao seu forte viés ideológico esquerdista, que tem grande apelo entre os jovens.  Segundo a American Conservative Union, Sanders só aderiu a propostas republicanas em 6% das ocasiões.

Por último, e em terceiro lugar nas pesquisas, com 10% das intenções de voto, está Elizabeth Warren. A entrada de Warren na política foi relativamente tardia, só ingressou na vida pública em 2012, quando foi eleita para o Senado como representante do estado de Massachusetts. Antes disso, a senadora atuava como advogada e professora universitária.

A senadora Elizabeth Warren carrega o manto da candidatura feminina da Senadora Clinton, que apesar de não se eleger devido ao colegiado eleitoral, recebeu mais votos que o presidente eleito Donald Trump. O fato de Warren ser mulher não pode ser subestimado, o partido democrata tem grande desejo de eleger a primeira “presidenta “americana. Segundo a American Conservativa Union, Warren se junta ao partido que opõe no Congresso em 6% dos votos, a mesma taxa de aderência de Sanders.

A senadora defende propostas parecidas com as de Sanders, mas já declarou que não compõe a ala dos democratas sociais, se auto rotulando como “Democrata Capitalista”. Em relação a Bernie Sanders, a senadora tem postura mais amena diante o mercado financeiro.

Ainda há amplo tempo para que novos nomes surjam, a possibilidade de que nenhum dos três senadores seja nomeado pelo partido existe, mas até o momento parece remota. Dito isso, se esta análise fosse feita com um ano de antecedência às disputas que elegeram Trump ou Obama, nenhum do dois seriam mencionados, devido ao baixo nível de suporte durante as etapas iniciais da pré-campanha. Apesar disso, no momento, os três Senadores se destacam entre os candidatos de primário e terão papel importante na disputa independente de quem venha a receber a nomeação dos Democratas.

Em relação ao Brasil, Biden provavelmente teria a postura mais favorável entre os três senadores, principalmente devido o perfil conservador do nosso Commander in Chief, Jair Bolsonaro. Levando em conta o perfil ultra progressista, pelo menos dentro o contexto americano, de Bernie Sanders, é difícil imaginar um cenário onde o senador teria bom relacionamento com o atual governo brasileiro.

Conrado Magalhães Conrado Magalhães

Analista Político

Formado em ciências políticas pela universidade Marymount Manhattan College (NY-EUA), com pós-graduação em administração pelo Insper. Possui cinco anos de experiência no ramo de consultoria política como analista da Arko Advice e agora é o analista político da Guide Investimentos.

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