Enfim começou a campanha pela Nova Previdência

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Dois meses de transição, outros dois meses de governo, discussões diversas nos bastidores e na mídia a respeito do que sairia como proposta oficial da nova previdência. O diagnóstico virou plano, que entra em discussão nas casas legislativas agora que entramos em 2019.

Embora seja claro aos especialistas e a quem quiser entender mais profundamente que a previdência precisa de mudanças, ainda há um mar de notícias falsas a respeito da necessidade de alterações nesse sistema. E é exatamente aí que o governo que se elegeu justamente por uma conexão bastante direta com o povo por meios digitais poderá fazer o que não se fez anteriormente.

O que os governos de FHC, Lula, Dilma e Temer têm em comum quando se lembra da questão previdenciária é o fato de, embora terem tentado reformas mais audaciosas, terem alcançado apenas algumas mudanças menores (ou ao menos de impacto em prazos maiores, não aliviando muito o tempo presente) e, no final das contas, não terem tido êxito em um reformar mais amplo basicamente porque a narrativa vigente de que “alterar as regra prejudicaria os mais pobres” (colocada por grupos de interesse que temem fortemente mudanças para si) venceu em todas essas vezes.

Com FHC, o governo mais “neoliberal, privatizador e vendido ao consenso de Washington” que existiu, a narrativa de que seria a reforma da previdência mais uma “armadilha contra o mais pobre” pegou. Por apenas um voto de diferença, a idade mínima (naquela época, de 60 anos para homens e 55 para mulheres) para aposentadoria não foi aprovada.

Com Lula, a ameaça de “estragar o sonho da aposentadoria” fez com que surgisse um partido com dissidentes do PT – o PSOL. O fogo amigo de quem virou “oposição” não permitiu que muitas mudanças pudessem ser aprovadas em 2003.

Dilma foi eleita pela primeira vez com o ideário de continuar os avanços sociais dos governos de seu padrinho político e acertar as contas públicas que sinalizavam precisar de ajustes – apesar da situação boa que o país apresentava. Não surpreendentemente, o diagnóstico de arrumação das contas públicas envolvia ela, a sempre falada reforma previdenciária. Entre idas e vindas da política e um ‘cavalo de pau’ após a vitória apertada em 2014 para seu segundo mandato, Dilma não conseguiu avançar nesse quesito.

Temer elevou as expectativas por mudanças na economia antes mesmo de entrar com o plano de seu partido intitulado “Uma Ponte Para o Futuro”. Avanços foram realizados e, de fato, o país foi entregue a Bolsonaro melhor do que Temer havia assumido no pós-Dilma. Mas, uma outra vez, não vimos a previdência ser reformada. Conversas nada republicanas em uma garagem de Brasília praticamente travaram as iniciativas econômicas.

O desafio de Bolsonaro não é de mostrar que a previdência precisa de reformas. Essa parte já é sabida. O obstáculo que separa o grande projeto da equipe capitaneada por Guedes e a efetiva mudança está no modo como será comunicada essas mudanças tão importantes ao povo brasileiro.

Com uma campanha estruturada de comunicação – análoga a que fez Bolsonaro chegar onde chegou no campo político -, poderemos ver finalmente a reforma da previdência (agora chamada de Nova Previdência) aprovada. O retrospecto aqui levantado mostra com certa facilidade o que acontece quando não se importa tanto assim com a apresentação dessa necessidade de mudança.

 

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