Eleições: Vencem as surpresas e o conservadorismo

tags Iniciante

O primeiro turno das eleições de 2018 rendeu mudanças sensíveis em diversas esferas da política nacional. Quem aguardava uma continuidade dos que lá estavam – tal qual vimos em 2014, mesmo tendo sido um ano após uma onda imensa de protestos pelo país – acabou errando bastante o palpite.

Dividindo os resultados entre os que mais ganharam e os que mais perderam, temos que venceram surpresas e conservadorismo e perderam velhos participantes (o que, de certa forma, também é uma vitória surpreendente).

Dos vencedores que puderam ser observados no dia de ontem: PSL, o partido de Jair Bolsonaro, deixou de ser nanico (tinha apenas um deputado federal até então) e passou a ser a segunda maior bancada da câmara (contando com 52 deputados agora), perdendo apenas para o PT neste quesito; Zema em MG e Witzel no RJ representaram as maiores viradas: de “praticamente sem chance” para “quase uma vitória no primeiro turno”, com mais de 40% dos votos válidos cada. Parece que, enfim, podemos observar renovação na política brasileira. Outro dado importante que vai nesta direção: menos da metade dos eleitos em 2014 para deputados federais conseguiram se reeleger neste pleito.

Já observando os que mais perderam, temos surpreendentemente muitos dos que nem imaginavam entrar na lista dos que não conseguiriam renovar ou conseguir cargos. Dilma Rousseff, que concorria ao Senado em MG e estava prevista para conquistar a primeira vaga, ficou em quarto lugar e com isso não ficou nem perto de chegar lá. Lindbergh Farias, Eduardo Suplicy, César Maia, Edison Lobão, Eunício Oliveira, Jorge Viana, Roseana Sarney, Sarney Filho: todos fora. Alckmin e Marina, que já não indicavam ter votação substancial, acabaram decepcionando mais do que o previsto: o primeiro ficou com menos de 5% dos votos e a segunda a ficou inclusive atrás do pitoresco Cabo Daciolo.

Em termos gerais, esta primeira fase da eleição indicou uma caminhada maior ao pensamento conservador no país. Embora inicialmente pareça direta a relação entre isso e uma maior governabilidade em um eventual governo de Jair Bolsonaro, é importante notar que conservadores costumam agir em defesa de seus grupos interessados – o velho conhecido corporativismo brasileiro, dessa vez mais à direita do que à esquerda progressista.

Apesar da quase vitória em primeiro turno, os cenários seguem abertos para Bolsonaro e Haddad. Muitos acenos ao centro ainda podem ser feitos. A visão certamente parece ser mais positiva ao candidato do PSL do que ao petista, uma vez que o primeiro precisa de muito menos apoio adicional para conseguir a vitória no segundo turno do que o segundo precisaria para reverter a questão, mas muita água ainda vai rolar debaixo da ponte chamada Outubro de 2018 antes de chegarmos a alguma definição.

Em todo caso, a escolha por extremos foi feita pelo país. Os dois candidatos com maior rejeição chegaram ao segundo turno – e provavelmente o aceno àqueles que os rejeitam será o fator diferencial para definir quem será o próximo Presidente da República.

Veja também a projeção da Guide sobre o mercado econômico com os cenários dos dois candidatos ao Segundo Turno: O dia depois de amanhã.

Terraco Econômico Terraco Econômico

Parceiro Guide

Hoje o maior blog independente de economia do Brasil, foi criado por 4 amigos em 2014, o motivo? Fornecer análises claras e independentes sobre economia e finanças, sempre com a missão de informar o leitor.

87 visualizações

relacionados

Bitnami