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Eleições 2018: No combate direto, mais do mesmo

Ao longo de toda a semana passada, os 4 candidatos às eleições, 4 mais bem colocados nas pesquisas, à presidência foram sabatinados pelo Jornal Nacional. Essa é a primeira sabatina pública de alto alcance que os presidenciáveis participam. O JN é de longe o noticiário mais assistido do país: uma vitrine inigualável. Porém, nenhuma novidade. Os candidatos exibiram mais do mesmo.

Os participantes foram Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Marina Silva. Todos sem exceção, tiveram atuações medíocres. Em parte, pelo desempenho dos candidatos, em outra, pelo próprio formato, onde os apresentadores do JN intervenham demais, às vezes, nem deixando o candidato concluir a resposta. Uma truculência desnecessária.

Em algumas entrevistas, como no caso de Bolsonaro e Marina, de forma mais proeminente, a sabatina mais parecia uma inquisição do que uma exposição de ideias e princípios.

Os candidatos

Pela dificuldade do formato, Bolsonaro conseguiu se sair melhor. Não apresentou nenhuma ideia nova ou clareou pontos obscuros e superficiais de suas propostas, porém seu jeito truculento lhe rendeu a vitória, pois foi o único que conseguiu desarmar os entrevistadores, que em alguns momentos pareciam imbuídos de uma raiva um tanto quanto bizarra.

Não vale a pena, aqui nessa análise, discutir os méritos das respostas e colocações de Bolsonaro aos entrevistadores, mas sim o fato que em cada uma delas o candidato do PSL conseguiu se reafirmar. Para o eleitor de Bolsonaro, que é cativo, e que já havia decidido votar nele antes dessa sabatina, a entrevista foi uma verdadeira `mitagem`.

Porém, para quem não gosta de Bolsonaro a entrevista apenas confirmou pontos que fazem ele ser odiado por outros setores da sociedade. Sua truculência, seus ódios velados e sua reconhecida falta de conhecimento técnico sobre economia, apenas confirmaram quem ele é. Um verdadeiro mais do mesmo.

Geraldo Alckmin foi relativamente bem, entenda que a escala de comparação aqui não é muito boa. Comparado a Bolsonaro, Alckmin foi mal, quando colocado ao lado de Ciro e Marina, ele foi sensacional.

Alckmin teve que lidar com as reiteradas acusações de corrupção da obra do Rodoanel, onde o ministério público federal afirma que houve um desvio de R$600 milhões. E com o fato de que o Senador Aécio Neves é do seu partido e nunca sofreu nenhuma punição disciplinar por parte do PSDB. Além, claro, do fato de que o Tucano fez uma ampla aliança com partidos de ética questionável. Em matéria de corrupção ou proximidade com agentes políticos corruptos, Alckmin é o que mais tem que se explicar.

Mas Alckmin foi firme aos ataques dos entrevistadores, sempre conseguindo responder e terminar suas respostas. Alckmin é o que na linguagem popular podemos chamar de `liso`. Sempre escorregando dos questionamentos espinhosos. Porém, é possível classificar a entrevista como neutra para o Tucano: não ganhou e nem perdeu, como diria a nossa ex-presidente.

Já Marina e Ciro tiveram atuações apagadas. Ciro é o único candidato que normalmente empata com Bolsonaro, no quesito falar alto e ser truculento, e mesmo assim conseguiu deixar que os entrevistadores entrassem debaixo de sua pele. Foi destruído, interrompido e mal conseguiu expor suas ideias com clareza e profundidade. Ciro deixou-se levar pelo formato. Vale a pena lembrar que ele foi o primeiro dos 4, logo não tinha muita ideia do que lhe esperava.

Marina teve a pior atuação, também em grande parte ao comportamento dos entrevistadores. Foi a mais interrompida e teve pouco jogo de cintura para lidar com os mesmos. Marina está em sua terceira campanha presidencial, já deveria estar mais calejada.

Por fim, as sabatinas do JN foram, em termos de conteúdo e propostas, mais do mesmo. Nenhum candidato mostrou nada novo. Nenhuma diferença. Muito dificilmente algum deles irá ganhar votos dessa exposição, uma vez que mal houve tempo hábil para falarem, culpa do formato, que foi chato e truculento.

A verdadeira prova de fogo vem agora. Na última sexta-feira começou o horário eleitoral gratuito, onde de fato os candidatos poderão falar o que quiserem, restritos apenas pelo tempo de suas coligações. E ainda existem mais 2 grandes debates em rede nacional para acontecer.

Vamos ver se a disputa vai continuar mais do mesmo…

 

Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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