A famosa frase de Mário Jorge Lobo Zagallo, ou simplesmente “Zagallo”, nos veio à cabeça. Afinal, Michel Temer, que parecia blindado, tomou um susto no último mês de maio, e ainda tenta sobreviver. Não só o presidente, mas principalmente a agenda necessária de reformas. É esta que mantém algum viés mais construtivo com o médio prazo no Brasil.

Aqui, é importante pontuar: de forma alguma podemos descartar o cenário externo benigno, mas convido todos a lerem, com atenção, o texto do Ignacio. O recado é simples: temos que estar sempre preparados para o “inverno”. Afinal, nem sempre os ventos vindos do exterior serão tão favoráveis assim…

Mas, a final, por quê fomos surpreendidos?

1-   o patamar de preços do mercado não piorou tanto pós “JBS”, e está se recuperando mais do que esperávamos. Dos diversos cenários possíveis, o mais otimista esta se consolidando, por enquanto;
2-   as ofertas públicas iniciais (IPOs) que precisam de condições de mercados favoráveis estão com suas agendas intactas. Depois do terremoto pontual da escuta de Joesley nos mercados, imaginar uma captação de 5 bilhões de reais era muito difícil. O Carrefour conseguiu! Biotoscana, Omega, IRB Brasil vêm por aí;
3-   o dólar, que poderia subir pelo aumento da percepção de risco, caiu, também pelo efeito da entrada de recursos das ofertas que estão no pipeline.

Nesse sentido, o que fazer e esperar agora?

Continuamos procurando ativos e posicionamento mais conservadores. Os movimentos do mercado local estão muito concentrados. O posicionamento dos agentes é de pouca convicção. As oportunidades são muito pontuais.

Respondendo: acho que é momento de aproveitar a melhora mais acentuada do que o esperado, quando tivemos o aumento de incerta política, lá em meados de maio. Proteger os ganhos em bolsa, comprar os dólares para a viagem do final de julho, analisar as estreias de empresas na bolsa para aproveitá-las, diversificar os investimentos com a queda da taxa de juros e voltar a acompanhar o House of Cards tupiniquim em agosto (o recesso parlamentar em Brasília termina no fim do mês).

Agora é continuar a torcer para que “a Pinguela para o Futuro” não quebre, pois, se isso ocorrer, vamos a nado até o final de 2018, como escreveu FHC. Depois teremos que ajustar nossas bolas de cristal para ver quem triunfará nas eleições presidenciais. Por enquanto, quem esta triunfando em 2017 são as reformas. A trabalhista passou, a da previdência pode passar a “possível” no segundo semestre, e outras estão sendo encaminhadas, como a tributária. Já é uma boa notícia em meio a tanto desestímulo.

 

 

 

 

 

LUIS GUSTAVO PEREIRA
Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 7 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

Luis Gustavo Pereira Luis Gustavo Pereira

Estrategista

Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 8 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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