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Dólar, para que te quero?

A década de 1990 foi marcada, entre outras coisas, pelas crises dos mercados emergentes. No Brasil, isso significou de taxas de juros altíssimas e “queima” das reservas internacionais. Nesse último ponto, assumimos uma situação contrária com o ciclo das commodities, na década seguinte. Nunca antes na história deste país um volume tão expressivo de reservas internacionais (vulgo, dólares) foi acumulado. A presente semana marcou a quebra de um tabu histórico: após muito tempo, o Banco Central do Brasil (BCB) vendeu dólares. Que história é essa?

Primeiro, a definição de reservas internacionais é, segundo o próprio BCB: ativos do Brasil em moeda estrangeira e [que] funcionam como uma espécie de seguro para o país fazer frente às suas obrigações no exterior e a choques de natureza externa, tais como crises cambiais e interrupções nos fluxos de capital para o país.

Em princípio, essa era uma discussão de cunho eleitoral. Ciro Gomes, por exemplo, discutia a venda das reservas internacionais como uma forma de capitalizar o BNDES, principal banco público de fomento no país. Contudo, ainda durante a corrida eleitoral do ano passado, Paulo Guedes — atual ministro da Economia — já apresentava essa tese: temos reservas demais e o problema fiscal é urgente, por que não se desfazer de uma parte delas?

Trajetória do acúmulo de reservas internacionais do Brasil (bilhões de US$, dados mensais). Fonte: Banco Central do Brasil.

Alguns economistas apontam para certo consenso na proposta. É o caso de Monica de Bolle, que propôs a venda de parte das reservas para financiar políticas fiscais. Na visão da economista e pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, a retomada do crescimento econômico brasileiro passa também por algum estímulo fiscal, o que é inviabilizado dada a calamitosa situação fiscal do país. Carlos Goés, destaca o nível de reservas internacionais acima até mesmo do recomendado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Mesmo diante de discussões, propostas e da mais recente ação efetiva do banco central, vale lembrar uma reflexão de Samuel Pessôa: o problema do Brasil também é um problema de economia política. Quando há um período de bonança econômica (e, consequentemente, fiscal), a sociedade brasileira opta pelo caminho do gasto. Isso, per se, não é um problema. Porém, as consequências adversas (e de longo prazo) das políticas econômicas empregadas na década de 2010 são evidentes. A venda das reservas é um complemento possível, mas apenas isso: um complemento. De nada adiantarão se o que é fundamental, boas políticas econômicas, não forem postas em prática. Seguimos em busca de uma retomada após uma nova década perdida, as reservas internacionais são um capítulo emblemático dessa história.

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