Fique por dentro do mundo da economia!


CADASTRE-SE AQUI

Doing Business: um longo caminho para facilitar os negócios

O Brasil passou pela maior crise econômica de sua história, iniciada em 2015, aprofundada no ano seguinte e com desdobramentos severos sobre as pessoas, empresas e governo até os dias atuais. A recessão de 15-16 reduziu o PIB brasileiro em 8%, deixou o triste legado de mais de 12 milhões de desempregados e reduziu a confiança (dos empresários e dos consumidores) para níveis jamais imaginados.

Agora, a economia começa a dar mostras de uma lenta recuperação, puxada pelo consumo das famílias (pelo lado da demanda) e pelo desempenho do setor de comércio e agronegócio (pelo lado da oferta). Com o governo bastante endividado e com travas legais para o crescimento de sua despesa, derivadas da Lei do Teto de Gastos, a saída da crise passa pelo setor privado e pelo incentivo ao empreendedorismo. Bem, essa é a história bonita, pois na prática ainda estamos muito distantes de um ambiente local que promova e incentive a livre-iniciativa dos cidadãos. E os números provam exatamente isso.

Nos últimos dias saiu a nova edição da pesquisa Doing Business, publicada anualmente pelo Banco Mundial. Nela, são coletados indicadores que demonstram a facilidade (ou dificuldade) de fazer negócios nas 190 nações pesquisadas. Apesar do Brasil ter avançado na nota geral do índice, passando de 58,6 para 59,1, caímos no ranking geral, da 109ª posição para a 124ª colocação.

O gráfico acima mostra a evolução dos últimos anos e destaca que, apesar do nosso crescimento de pontuação a partir de 2016, não estamos conseguindo evoluir na mesma velocidade das outras nações. Se olharmos por tema, os números impressionam negativamente: 138ª posição na abertura de empresas, 138ª na obtenção de alvará de construção, 98ª para conseguir eletricidade, 133ª para registrar propriedades e 184ª colocação no pagamento de impostos, sendo no subitem “tempo para pagar impostos” ocupamos a vexatória última colocação entre todos os países pesquisados. Se temos uma notícia boa nisso tudo é a nossa melhora contínua no indicador “tempo de abertura de empresas”, que vem caindo gradativamente nas últimas medições, mas ainda há muito o que avançar.

Do outro lado da tabela, os três primeiros colocados do índice geral do Doing Business são Nova Zelândia, Cingapura e Hong Kong. Além disso, países como México (60º), Índia (63º) e África do Sul (84º) estão à nossa frente.

O governo atual tem como meta levar o Brasil à 50ª posição nesse ranking, conforme comunicado pela Equipe Econômica no início de mandato. Para isso, as reformas microeconômicas são primordiais, concomitantes as reformas macro, como é o caso da reforma da previdência e trabalhista. Algumas já foram realizadas no âmbito micro, como por exemplo o cadastro positivo, o projeto de open banking, a lei de liberdade econômica, entre outras. Mas esse deve ser só o começo. Não é possível que em um país com tantas dificuldades econômicas seja tão difícil de abrir o próprio negócio.

Quando você ouvir falar que o empreendedor brasileiro é um herói, e lhe parecer uma frase exagerada, espere só até abrir a sua própria empresa. O CNPJ tem que ser um orgulho para o empreendedor, e não um peso burocrático.

Terraco Econômico Terraco Econômico

Parceiro Guide

Hoje o maior blog independente de economia do Brasil, foi criado por 4 amigos em 2014, o motivo? Fornecer análises claras e independentes sobre economia e finanças, sempre com a missão de informar o leitor.

101 visualizações

relacionados

Utilizamos cookies para melhorar a sua navegação

Entendi
Bitnami