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Dia do trabalho para uma economia que precisa de emprego

O mês de maio já está batendo na porta e começa com aquilo que todos adoram: feriado. O dia internacional do trabalho, em 1 de maio, é marcado por muitas coisas ao longo da história da relação trabalhista no mundo, muitas delas envolvendo greves e protestos. Na mente dos brasileiros, também marca o dia da perda do nosso Ayrton Senna, em 1994.

É difícil falar de trabalho, de emprego, na atual situação do Brasil. De fato, o cenário não está nem um pouco fácil, lembrando que após a taxa de desemprego atingir sua mínima histórica em novembro de 2014, com 6,5%, o país mergulhou na pior recessão da sua história, o que fez a taxa saltar para cima de 12%, que é a taxa média apresentada no país desde o primeiro trimestre de 2016.

A crise, em termos de atividade econômica, acabou, mas não para o mercado de trabalho. Seguimos com mais de 11 milhões de pessoas em busca de emprego e sem sucesso, isso sem falar no grande número de desalentos e da subutilização de trabalhadores, que também supera os milhões.

É difícil comemorar essa data por esses motivos, ainda mais ciente de algumas coisas: a atividade econômica esse ano seguirá fraca, com projeções para o PIB já chegando a 1,70%, segundo o Boletim Focus do Banco Central e com tendência de queda, o que fragiliza ainda mais a recuperação do mercado de trabalho.

Além disso, mesmo que tivéssemos uma recuperação mais vigorosa do que a atual, é sabido que a redução da taxa de desemprego é um processo longo e sensível, não devendo apresentar essa mínima histórica tão cedo, pelo menos não no atual mandato presidencial.

Para que se tenha noção do problema, vale lembrar que o último pico histórico aconteceu em abril de 2000, quando a taxa de desemprego atingiu 11,4% (número atingido se retroagirmos a atual série da PNAD pelos dados da PME, também do IBGE) e demorou mais de uma década para atingir os tais 6,5%, numa situação de cenário doméstico e internacional vibrante, de grande crescimento.

E o lado bom?

Claro, nem tudo são notícias ruins. Pelo menos o país criou mais de 390 mil empregos nos últimos 12 meses, conforme os dados do CAGED. Evidentemente essa criação não foi homogênea dentre os setores, visto que enquanto o setor de Serviços criou 330 mil vagas, a Indústria de Transformação fechou 14,5 mil vagas, sendo esse último setor um dos mais atingidos pela crise desde 2014 e com resultados fracos desde 2012.

O leitor desavisado pode ficar intimidado a bradar: “claramente a reforma trabalhista não funcionou”. Bem, não se pode afirmar isso.  A verdade é que os efeitos da reforma ainda são desconhecidos, mesmo com o mercado de trabalho patinando.

De fato, é possível que a situação fosse ainda muito pior se a reforma não tivesse sido aprovada, o que seria confirmado apenas com uma minuciosa avaliação de impactos. Mas fique tranquilo, o país conta com bons pesquisadores que estão esperando acumular um pouco mais de dados e informações para fazer tal avaliação.

Desta forma, apesar de desejar um bom feriado a todos, é importante relembrar dos grandes desafios do país, que não se resumem tão somente na reforma da previdência. Após sua aprovação, ainda há uma gigantesca agenda de crescimento, desenvolvimento e emprego que demanda a atenção e esforço de todos os brasileiros, em especial o presidente.

 

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