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Decisão não intuitiva: sacar ou não o FGTS?

Temos, a partir de determinação do atual Ministério da Economia, a possibilidade de sacar recursos do FGTS novamente. Da vez mais recente em que isso ocorreu, no governo Temer, era possível sacar todo o valor contido em contas inativas. Agora são duas as possibilidades: de realizar o saque de R$500,00 por conta inativa ou ativa – há possibilidade, por Medida Provisória, que o valor passe a ser de R$998,00 -, que é o chamado saque imediato, ou fazer um saque proporcional ao saldo uma vez ao ano mas com certos condicionantes, que é o chamado saque aniversário. Na outra vez, a escolha estava entre sacar os recursos ou deixá-los com o rendimento pífio fornecido pelo gestor do mesmo (o governo). Agora, há condições que tornam não tão óbvia a escolha.

Causa de uma certa desilusão neste ano, o FGTS agora se põe no centro de uma dúvida. Vale a pena ou não sacá-lo? É importante observar as novas regras para então decidir. Dentre elas, a que mais deve impactar nessa decisão é: caso opte por fazer o chamado saque imediato (nos próximos períodos, com valor máximo por conta inativa ou ativa), o valor limite de R$500,00 (ou R$998,00 com a MP) só pode ser retirado nesta vez e, se a opção for pelo saque aniversário (fazendo isso nos meses próximos ao mês de seu aniversário), embora um valor proporcional possa ser sacado todos os anos, em caso de demissão apenas a multa de 40% poderá ser sacada, não mais o saldo todo como anteriormente – sendo que este valor restante só poderá ser sacado em condições específicas.

Sacar ou não sacar?

No fundo, vai depender da sua disponibilidade de dinheiro em curto prazo ao longo do tempo.

Parece confuso, mas não é tanto assim. De olho em seu saldo de FGTS acumulado – aquele que você recebe de tempos em tempos pelos correios – e em seus rendimentos mensais, se faça a seguinte pergunta: caso eu seja demitido hoje, precisarei de todo esse recurso disponível ou é mais razoável que eu o tenha disponível em parcelas a cada ano?

Numericamente, pense em dois exemplos para tentar encaixar sua realidade. Imagine que seus rendimentos sejam, líquidos, de R$2.500,00 por mês e que seu saldo de FGTS seja de R$6.000,00. Caso você opte pelo saque aniversário, em um dos meses seu rendimento passará a ser de R$3.100,00 líquidos (pois, segundo a tabela da Caixa, nessa faixa de saldo residual é possível que sejam sacados 20% dele, R$600,00, no caso, 24% acima do que você costuma receber), mas, em caso de demissão com o saldo nesse mesmo montante, no lugar de receber R$8.400,00 (o saldo somado a multa de 40% do mesmo), receberá apenas R$2.400,00. 

Agora imagine que seus rendimentos líquidos sejam de R$6.500,00, com um saldo de R$10.000,00, que você opte pelo saque imediato e tenha apenas essa conta disponível, ainda ativa. Neste caso, no mês do saque (que se limita a R$500,00 por conta), seus rendimentos líquidos serão de R$7000,00 (7,7% a mais) e, apesar de manter as condições anteriores para o saldo que lá restar (em caso de demissão você recebe o estoque somado a multa de 40%), não haverá outra oportunidade para fazer esse saque, a não ser que você preencha os requisitos das outras condições para isso.

No fim das contas, tudo se resume a colocar na balança os dois lados dessa questão: com seus rendimentos líquidos atuais, seria mais interessante ter um acréscimo de valor todos os anos em algum dos meses e em caso de demissão poder sacar apenas o valor da multa, pegar os recursos uma vez só ou deixá-los lá e ter um saldo maior a ser sacado em caso de ser demitido?

Apesar dos exemplos numéricos e da “balança”, se ainda assim a escolha ainda estiver pouco intuitiva, aqui vai uma sugestão: caso você tenha rendimentos líquidos mensais que lhe permitam ter uma vida razoavelmente confortável e, na atual situação, você possuir uma reserva de emergências e eventualmente investimentos que lhe auxiliem nesse aspecto, aproveite para sacar estes recursos e complementar seu bem estar ou seus investimentos; porém, caso sua situação seja de ter esses rendimentos apenas capazes de cobrir suas despesas mensais com pouca ou nenhuma sobra de caixa todos os meses (e não exista reserva de emergência ou outros recursos que possam ampliar sua liquidez em casos extraordinários), deixe para ter acesso a esses recursos apenas nas situações específicas em que a Caixa determina.

A sugestão acima se baseia na seguinte observação: se você já tem outros recursos em certa disponibilidade, conseguirá aproveitar os saques anuais para complementá-los e, em caso de demissão, terá certo montante que poderá absorver a situação de curto prazo. Já na situação em que você não tem outros recursos além dos rendimentos mensais para suprir eventuais momentos de desequilíbrio financeiro (como uma demissão), farão mais falta os recursos advindos do FGTS, seja ele com a multa de 40% ou apenas a multa.

Situação ideal que gostaríamos de ver nossos leitores é justamente a de estarem em possibilidade de sacar seus recursos disponíveis no FGTS a cada período, sem necessária preocupação com valores a serem recebidos em caso de demissão. Mas, caso você ainda não tenha disponibilidade suficiente para custear pelo menos alguns meses de seus gastos em caso de demissão (a famigerada reserva de emergências), pense bem antes de abraçar a supostamente óbvia escolha de sacar os recursos – ainda que, como no exemplo numérico deste artigo, eles possam significar um considerável aumento de rendimentos líquidos em um dos meses do ano.

É possível que você, leitor, discorde dos apontamentos numéricos levantados neste artigo. Não há problema nisso, afinal, os recursos lá disponíveis são seus, não deste que aqui está escrevendo. Ainda assim, fazemos um apelo: reflita, mesmo que rapidamente, sobre a balança que apresentamos aqui. Não deixe que a disponibilidade de recursos no curto prazo possa te prejudicar em caso de uma inesperada demissão – ou, caso estiver na situação mais confortável, não deixe de aproveitar para ter um recurso adicional para contribuir em seu bem estar ou em sua árdua caminhada rumo à independência financeira.

Cada caso é um caso, há sempre o que analisar. Que todos os nossos leitores tomem a melhor decisão para seus respectivos saldos de FGTS!

Terraco Econômico Terraco Econômico

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