De Sampaoli a Macri: as dificuldades na Argentina

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Após ótimos trabalhos com a equipe da Universidad de Chile e com a seleção chilena, somados a uma passagem regular em uma equipe europeia, o técnico argentino Jorge Sampaoli assumiu a seleção Argentina. Porém, contrariando as expectativas, Sampaoli não conseguiu arrumar a “casa hermana” e os velhos problemas que sempre prejudicaram a seleção argentina.

Saindo do futebol, encontramos uma analogia interessante cuja trajetória guarda certas semelhanças. De maneira semelhante a Sampaoli, Macri também chegou badalado, sendo apresentado como alguém capaz de arrumar a casa, digo, a economia argentina.

Mas, até o momento, apesar de certas medidas louváveis tomadas no início de seu mandato – como abertura política e econômica – os velhos problemas argentinos parecem persistir, como o aumento da inflação e a graves crises financeiras.

Em 2017, a meta de inflação de 17% estipulada pelo governo para o ano foi descumprida com o aumento inflacionário chegando a quase 25%. Neste ano, a inflação acumulada até abril chegou a 9,6%, mesmo após a uma grande elevação da taxa de juros, que chegou ao patamar de 40%. A expectativa de inflação anual do país é elevada, estando em 30%. Uma verdadeira bola nas costas da economia argentina e em Macri.

Ainda há o retorno de um velho pesadelo argentino: o famigerado FMI (Fundo Monetário Internacional). Grande parte da população argentina credita ao FMI grande parte dos males do país, como a necessidade de duras reformas de austeridade. Somado a essa carga negativa, o próprio Macri, em toda a sua campanha e nos dois primeiros anos do seu governo, prometeu diversas vezes não recorrer a ajuda da instituição.

Mas, com a grande crise cambial do país ocasionada por uma mistura de problemas internos – como a enorme seca que prejudicou a produção de grãos – junto a valorização mundial do dólar, Macri foi obrigado a pedir ajuda ao FMI. Algo que não era realizado por um presidente argentino há 12 anos.

A histórica bagunça da casa hermana guarda resquícios de uma herança maldita advinda de antigas dinastias políticas, como as ultrapassadas ideias peronistas e a feroz oposição dos Kirchner. Diante do tamanho desses desafios, havia a esperança de que Macri, um presidente considerado como jovem e detentor de ideias inovadoras, pudesse contê-los.

Esse mesmo presidente inovador parece repetir antigos erros, seja quebrando promessas ou até mesmo tendo o seu nome envolvido em suspeitas de corrupção (em um dos inúmeros esquemas de propina da Odebrecht) juntamente a consultorias econômicas com personagens bem contestáveis da recente história econômica argentina, como o ex-ministro da economia do governo Menem, responsável pela medida econômica de pareamento do peso argentino ao dólar, Domingo Cavallo.

As tentativas de Macri em arrumar a casa argentina esbarram nos velhos problemas do país. O aumento da inflação e a necessidade de recorrer ao FMI são alguns dos exemplos de um pesadelo passado que insiste em permanecer. Resta saber se o inicialmente badalado Macri será capaz de lidar com esses problemas ou acabará igual a Sampaoli: indo embora sem ter alcançado o seu objetivo e com apresentações pífias.

 

 

 

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