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De mãos atadas, o risco aumenta na economia global

Os riscos estão aumentando no exterior. Mais do que uma opinião, esta parece ser uma constatação, a partir de dados e estatísticas. Dito de outra forma, a economia global, recheada de tensões políticas e guerra comercial, tende a enfrentar dias mais difíceis à frente. Não parece ser algo iminente, mas, no atual momento em que economistas “comemoram” os 10 anos do colapso do Lehman Brothers e correm para enumerar aprendizados, vale o alerta: nos últimos meses, o risco de uma nova tempestade vai aumentando. O que podemos dizer sobre o assunto?

 O crescimento global ainda é forte e puxado, em grande parte, pelos Estados Unidos. O índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) é prova disto. Quando acima de 50 pontos, o índice PMI sinaliza que a economia está crescendo; quando abaixo de 50, o contrário. A partir do gráfico a seguir, perceba que o ritmo do mundo – puxado não só pelos Estados Unidos, mas também pela Zona do Euro –, tem melhorado desde o início de 2016. Não obstante, chegou ao seu “máximo” no final de 2017 e, desde então, passou a perder vigor.

À frente, é difícil imaginar que a economia americana continuará a acelerar. O crescimento acima de 3%, bem acima do seu potencial, que oscila ao redor de 2%, não é sustentável. Aliás, também há indícios de que o recente corte de impostos do governo Trump não impulsionará os investimentos nem mesmo no curto prazo, como muitos acreditavam. Os impactos desta política parecem localizados, tanto no setor de tecnologia, quanto no setor de petróleo. Desta forma, em algum momento (talvez antes de 2020), o aumento da dívida por lá começará a ser um fator de maior preocupação. Quem vai pagar esta conta?

 Além disso, temos que as perspectivas para a Zona do Euro têm sido revisadas para baixo. Não virá daqui, portanto, a “salvação” para a possível desaceleração americana. Aliás, a relação de causalidade parece ser exatamente inversa: o crescimento global menos vigoroso é o que tem feito os economistas revisarem para baixo o crescimento europeu. Segundo informações do último dia 13 de setembro, o banco central europeu espera agora um crescimento menor, embora ainda sincronizado entre os países. O PIB deve crescer 2,0% em 2018 e 1,8% em 2019. Em junho, previa-se 2,1% e 1,9%, respectivamente.

 Esta situação, aliada a riscos políticos crescentes, em ambos os lados do Atlântico, devem manter o investidor em alerta. Apesar dos avanços desde a última crise financeira (tema para um próximo texto), os riscos parecem crescentes. Aliás, o próprio banco central americano, baseado em dados, indica uma probabilidade de aproximados 15% para uma recessão nos próximos 12 meses. Há 2 meses, estava mais próxima de 10%. Mais preocupante do que isto é saber que, ao contrário da crise de 2007/2008, os governos das principais economias do mundo não têm a mesma capacidade de reação a tais eventos. Níveis ainda altos de endividamento e juros ainda muito baixos os mantém de mãos atadas.

Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE) e em Finanças pela Barcelona Graduate School of Economics (BGSE). Graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Entre 2013 e 2018, atuou como economista da Guide Investimentos, cobrindo o mercado doméstico e os internacionais, e sendo um dos responsáveis do asset allocation dos clientes. Desde 2018, atua como consultor Guide Investimentos, cobrindo principais eventos do cenário internacional e escrevendo artigos semanais para o blog.

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