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Davos 2020: sustentabilidade, otimismo cauteloso e a baleia brasileira

O Fórum Econômico Mundial em Davos ocorreu na última semana, entre os dia 21 e 24 de janeiro. É possível dividir a análise sobre o evento em três pontos: primeiramente, qual foi seu foco; em segundo lugar, como o Brasil se posicionou; em terceiro, como foi a observação geral dos participantes do mundo empresarial (os CEOs presentes).

O tema central do encontro suíço neste ano teve o nome Stakeholders for a Cohesive and Sustainable World, ou seja, colocar todo mundo (de agentes a impactados por ações econômicas) em uma mesa para discutir como o mundo pode ser mais sustentável em diversos aspectos – divididos em sete temas: futuro da saúde, como salvar o planeta, sociedade e o futuro do trabalho, economias mais justas, melhores práticas de negócios, além da geopolítica e o uso das tecnologias da melhor maneira possível.

As visões que podem ser encontradas sobre o evento relacionam-se todas com a sustentabilidade de uma maneira geral: reconhece-se que o meio ambiente tem importância primordial e que esforços precisam ser empreendidos para que as mudanças climáticas caminhem mais lentamente (pressão mais notável do evento foi essa), que o capitalismo está em franca mudança (dentre outras razões porque as rotinas de trabalho são diferentes e a tecnologia é cada vez mais inclusiva) e que uma integração melhor entre as economias é mais benéfica do que um isolacionismo cujas tendências têm sido observadas (como por exemplo na guerra comercial China-EUA ou mesmo no Brexit).

Quanto ao posicionamento do Brasil, tivemos um foco exclusivo na economia. Como apresentado pelo Ministro da Economia Paulo Guedes, o mundo parece olhar mesmo com novos olhos nosso país. Nossa equipe econômica teve encontros diretos com mais de 50 chefes de grandes negócios interessados em investir por aqui e recebeu elogios de diversos órgãos internacionais, o que sinaliza fortemente que a confiança sobre nosso país está mesmo retomando.

A questão da Amazônia não passou batida. Mesmo não sendo a especialidade de Guedes, ficou a cargo dele defender que o governo está em cima de ações maiores de prevenção aos incêndios e ao desmatamento na área. Pode não ter por si só melhorado a situação, mas não piorou a visão internacional sobre a questão, dado que apesar deste tópico ter aparecido em diversas apresentações, a visão foi mais de que o Brasil se responsabiliza e toma atitudes do que “o país está deixando de lado a questão”.

Por fim, a visão de quem faz negócios, das empresas, especificamente de seus CEOs, presentes no Fórum. De um lado, a coleta de informações com eles sinaliza que uma desaceleração global de aproxima: segundo a PwC, 53% dos entrevistados preveem uma redução no crescimento já em 2020 – o que representa uma alta considerável, dado que no ano passado essa previsão era de 29% e, em 2018, de apenas 5%. O ciclo econômico é, sem dúvidas, fator de uma tirada de pé do acelerador para muitos presidentes de empresas globais.

Do lado cheio deste copo temos o apaziguamento de conflitos comerciais, majoritariamente o que existe entre os Estados Unidos e a China. Há um esperado efeito de confiança nos mercados globais advindo dessa calmaria esperada após a Phase One – mesmo que ainda seja possível questionar qual a validade prática desse acordo e, no fim das contas, que a finalização do mesmo (a Phase Two que, segundo Trump, deve parar nela e não ter fases seguintes) fique em ritmo de espera até as proximidades das eleições nos EUA (fator que, articulador que é, Trump certamente utilizará como carta na manga para seguir à frente da Casa Branca).

O leitor deve estar pensando “e o que o item baleia brasileira está fazendo no título?”. Bem, esse termo esteve no discurso de Paulo Guedes no evento, que sinalizou como o governo brasileiro está fazendo para que nossa economia retome. Comparando nossa economia a uma baleia bastante machucada com arpões – que seriam os obstáculos que o Estado tem colocado nas últimas décadas, seja por corrupção, burocracias, ineficiências ou mesmo irresponsabilidades em diversas áreas – e que, a cada novo passo dado (como a reforma da previdencia ano passado) um arpão é retirado e a movimentação aumenta.

Infelizmente não tivemos escapatória de outra previsão não muito condizente com os fatos: nessa apresentação, Guedes disse que a retirada de arpões teria previsão de fazer o país crescer 1% no primeiro ano, 2% no segundo, 3% no terceiro e 4% no quarto ano – “e já está acontecendo”, apontou quando o crescimento de 2019 deve ficar em torno de 1,3% e o desse ano deve ficar ao redor de 2,5%. Pode ter servido para empolgar os presentes, mas não necessariamente tem bases reais na possibilidade de crescimento do país – a não ser que alguma solução de fato muito rápida aos entraves do crescimento sustentável brasileiro esteja por vir.

Em suma, Davos 2020 foi assim: para um mundo em que a sustentabilidade ampla é o foco, o Brasil se apresentou como uma oportunidade de investimentos (da qual muitos presentes concordaram e sinalizaram investir) e quem faz os negócios segue torcendo pelo melhor mas aguardando o pior cenário.

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