Da Terra à Lua: O surrealismo real

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Muito provavelmente você sabe o que o primeiro homem a pousar na lua disse, assim que pisou em solo lunar: “Este é um pequeno passo para [um] homem, um salto gigantesco para a humanidade”. Mas você não sabe o que o terceiro homem a pisar na lua, na missão Apollo 12, disse: “whoooopie” ao pular do último degrau do módulo lunar em direção ao solo lunar. Ou que na missão Apollo 15 levaram um carro para lua? Todos fatos incríveis que fizeram parte do maior esforço científico da história: a viagem do homem da terra até a lua. O verdadeiro surrealismo que se tornou realidade.

Pouco se conhece das demais missões lunares e da epopeia que foi o esforço de se dominar a tecnologia para ir e voltar em segurança ao nosso astro vizinho. Nos limitamos a saber que nós (humanidade) já fomos até lá.

A dica dessa semana é o livro A Man on The Moon, de Andrew Chaikin. E para quem não curte livros, tem o seriado da HBO, de 1998, From the Earth to the Moon, que é baseado no livro e produzido por Tom Hanks que viveu o protagonista Jim Lovell no filme Apollo 13, outra dica complementar de hoje. Todas se conectam e contam a história de como a humanidade, com seu espírito explorador, pode fazer coisas incríveis.

Ao contrário de Neil Armstrong, que virou símbolo do programa espacial americano, existiram 400.000 pessoas envolvidas no esforço de colocar um homem até o final da década de 60 na lua. Em 1962, em um discurso na Universidade de Rice, o então Presidente John Kennedy, disse: we choose to go to the moon, e colocou a meta de fazerem isso antes do final da década, ou seja, a NASA tinha 8 anos para alcançar a ambiciosa meta. Naquele momento a NASA tinha 15 minutos de voo espacial tripulado. Para ir à Lua precisaria de centenas da horas a mais, de tecnologia e materiais que ainda nem existiam e que teriam que ser inventados.

Entre 1967 e 1969, missões tão importantes quanto o próprio pouso lunar aconteceram.

Como o voo incrível da Apollo 8 que foi até a órbita lunar e circulou algumas vezes a lua, mostrando que era possível ir até lá e voltar com segurança, no natal de 1968 a Apollo 8 transmitiu ao vivo da Lua, para o mundo todo, via televisão. Com a figura cinza da lua no centro da imagem, os três astronautas: Frank Borman, Jim Lovell e William Anders leram o livro gênesis da bíblia. A missão foi um sucesso retumbante, o próximo passo era pousar na lua.

A tripulação da Apollo 8 foi eleita o “homem” do ano de 1968 pela revista time

A icônica e primeira fotografia da terra tirada da órbita lunar pela Apollo 8

 

Antes do sucesso retumbante da 8, existiu um desastre que quase colocou fim ao programa espacial tripulado americano. Bem no começo do programa Apollo, em 1967, um incêndio em um teste, em solo, matou os três astronautas da Apollo 1. Um curto circuito na eletrônica da cápsula desencadeou um incêndio terrível, dentro da cabine que estava numa atmosfera de 100% de oxigênio. Apesar dos esforços dos mecânicos e técnicos, foi impossível abrir a escotilha a tempo de salvar os três homens. As únicas baixas do programa Apollo.

 

A tripulação da Apollo 1, vítimas de um incêndio em um teste de rotina dentro do foguete, Guss Grissom, Edward White, Roger Chaffee

Após o brilhante pouso em julho de 1969, a certificação da capacidade de se pousar na lua com segurança. Missões incríveis aconteceram, como a Apollo 15 que ficou mais de três dias na lua e permitiu que, pela primeira vez, os astronautas estiveram mais concentrados em fazer ciência do que simplesmente ir até a lua. Na 15 foi a estreia do Rover, um simpático carrinho elétrico que se tornou o principal meio de locomoção dos astronautas. Além da diversão de dirigir na Lua, a 15 trouxe grandes respostas aos mistérios da Lua. Graças às pedras trazidas pelos astronautas, foi possível determinar a idade da lua, sua composição e até mesmo comprovar algumas teorias sobre a sua formação.

David Scott dirige tranquilamente na lua, durante a Apollo 15

O programa Apollo terminou em dezembro de 1972. Na missão 17, a última ida do homem à lua. Para o governo americano não havia mais sentido em gastar bilhões de dólares em missões que traziam apenas algumas pedras lunares. O objetivo principal já tinha sido alcançado: o homem já tinha ido a lua. A NASA queria se concentrar no seu próximo objetivo que era construir um ônibus espacial para auxiliar na construção das novas estações espaciais.

Tripulação da Apollo 17, no porta aviões USS Ticonderoga, após pouso no oceano pacífico

Era o fim de 3 anos de explorações humanas na Lua. Um período onde o homem mostrou que o impossível era perfeitamente transformável em possível, em menos de uma década.

O programa Apollo não é apenas uma aula de ciência, mas como o livro de Chaikin deixa claro, um esforço que envolveu a NASA e diversas empresas privadas na construção das naves e foguetes. Um esforço de 400.000 pessoas que precisavam estar perfeitamente coordenados, cada um executando seu trabalho com perfeição. Uma verdadeira aula de gerência de projetos, administração e força de vontade coletiva.

2018 marca o aniversário de 50 anos da Apollo 8 e a primeira viagem humana à Lua.

 

Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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