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Coronavírus e preço do petróleo. O que mais para uma tempestade perfeita?

De fato, pouco ainda se sabe sobre o coronavírus, mas a tese que emerge é: 1) que a sua letalidade é relativamente baixa, mas 2) que sua taxa de contágio é muito alta. Portanto, o maior risco é que o vírus atinja um volume gigantesco de pessoas, exigindo recursos estratosféricos para controlar o número de fatalidades.  Assim, a partir de numa análise fria de custo/benefício, em países onde o número de infectados já seja grande, é melhor impor medidas draconianas, com impactos econômicos consideráveis, a lidar custos gigantescos da pandemia.

Consequentemente, a prevalecer a dinâmica atual, onde as principais economias mundiais apresentam/apresentarão números de infectados relevantes, uma recessão mundial parece inevitável, mesmo que decorrente das medidas para combater o vírus. Essa dinâmica, aliada ao alto grau de aversão ao risco global, faz com que soframos o contágio econômico, mesmo que o vírus não atinja o cotidiano dos brasileiros, o que todos torcem para que não ocorra.

Seja como for, a situação já parecia dramática o suficiente, mas a decisão da Arábia Saudita de reduzir o preço internacional do petróleo trouxe o cenário econômico ainda mais próximo da tempestade perfeita. O fato é que em um mercado onde as sensibilidades estão sendo testadas, mudanças bruscas trazem grande desconforto e, no caso em questão, dois receios, se sobressaem: a) o risco de inflação ainda mais baixa em países onde a taxa de juros já é próxima de zero; e b) aumento do risco crédito das empresas produtos de petróleo, particularmente, americanas.

Àqueles procurando algum alento, o lado positivo do risco-petróleo é que parece mais fácil de mapear. É (quase) consenso entre analistas que os preços observados no momento não são sustentáveis, e que não interessa a nenhum dos atores envolvidos a guerra de preço detonados por Rússia e Arábia Saudita, pelo menos no curto-prazo. De qualquer maneira, esse contencioso chega no pior momento possível.

Em meio a todas essas turbulências, tudo o que não se necessita é mais um imbróglio político no Brasil. Mesmo que o país esteja em situação financeira saudável para lidar com a desvalorização do dólar, tem ferramentas limitadas para estimular a economia, pois espaço fiscal para isso é basicamente nulo, enquanto a política monetária não é panaceia. Assim, o melhor que se pode fazer é garantir que a confiança de empresários e consumidores não sejam afetadas a fim de que a demanda local sirva de colchão ao impacto do vírus.

Portanto, respondendo à pergunta inicial. O tempo está feio, mas talvez ainda não caracterize uma tempestade perfeita, pelos menos no Brasil. Mas para que de fato esse não seja o caso, é necessário a ajuda de nossa classe política.

João Maurício Rosal João Maurício Rosal

Economista-chefe Guide Investimentos

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