Conhecendo os jogadores do xadrez eleitoral

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Estamos a menos de 60 dias das eleições presidenciais. Todas as peças já estão dispostas no intrincado jogo político nacional. Cada um joga com um número diferente de peças que varia de acordo com as coligações que conseguiu forjar. Alckmin, Ciro, Marina, Álvaro Dias, Bolsonaro e o candidato X do PT. Estamos conhecendo, de fato, quem serão os verdadeiros jogadores do xadrez eleitoral deste ano.

O ponto é que com exceção do candidato do PT, todos os outros já estão sendo sabatinados em jornais, revistas e programas televisivos. Estão sendo interpelados por seus atos passados, ideias de governo, ideologia e ações de campanha.

Dois programas já fizeram uma sequência de entrevistas com todos os candidatos, o Roda Viva da TV cultura e o central das eleições da GloboNews.

O ponto comum em todas as entrevistas é que nenhuma novidade foi revelada. Apenas a pura e simples confirmação sobre todos os candidatos. Para Jair Bolsonaro foram feitas as mesmas perguntas de sempre, que envolvem as declarações polêmicas que o candidato já fez e Alckmin teve que lidar com os escândalos do Rodoanel, apenas para citar exemplos.

Todos os candidatos foram perguntados sobre quais medidas tomariam para resolver o grave problema fiscal, e por consequência econômico, que o País passa. Todos foram unânimes, com exceção dos candidatos de esquerda pura (PCdoB e PSOL), que é necessária a diminuição do Estado e o aumento da produtividade da economia brasileira. Existe, obviamente, um gradiente de soluções apresentadas. Porém, todos os candidatos possuem propostas sérias (que não significa eficácia) para os problemas econômicos.

Bolsonaro foi o que menos explicou suas ideias práticas, principalmente na economia. Talvez por um misto de ignorância sobre o tema e a pura falta de interesse dos entrevistadores que estavam, nitidamente, mais preocupados (e não estão errados) de questionar o candidato referente às polêmicas declarações já feitas por ele.

A maioria dos candidatos também não diz como colocar em prática essas ideias, uma vez que a maior parte delas são profundas o suficiente para que necessitem de reformas constitucionais para que se tornem realidade. Como a cobrança de mensalidade no ensino superior público, reforma da previdência e privatização de grandes empresas como Caixa e Petrobras. Nenhum candidato informou como ou quando tentaria por ideias desse calibre em prática.

Outra ideia ultra ambiciosa, e que foi citada por Alckmin em sua entrevista, foi a reforma política. Para o candidato, o País precisa alterar seu sistema para o distrital misto.

Fato é que apenas um tem o apoio político a priori para pôr em prática ideias politicamente ambiciosas, que é Geraldo Alckmin, que conseguiu apoio maciço das tradicionais forças políticas do país. Forças essas que talvez não estejam tão interessadas assim em mudanças que possam alterar seus status quo.

As entrevistas por enquanto são ambientes, em parte controlados pelos candidatos. Porém, na próxima quinta-feira veremos o primeiro embate das peças do xadrez político em combate direto, face a face, homem a homem, em um cenário que existe pouco controle das perguntas e das inquisições que cada candidato poderá fazer ao outro.

 

 

Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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