Momentos pelo que estamos passando desanimam pela quantidade de notícias ruins e pela falta de perspectiva de melhora. Com a eleição pela frente, as incertezas ficam maiores afastando os investidores do mercado. O resultado desta crise é a desvalorização dos investimentos, com ativos em renda variável como ações e fundos imobiliários e de renda fixa pré-fixados ou atrelados à inflação caindo.

Onde estão as oportunidades?

O diferencial dos grandes investidores não é somente saber analisar qual é o melhor investimento. Eles também sabem qual é o melhor momento para comprar, manter ou vendê-los. O raciocínio deles é o de que “preço é diferente de valor”.

Por exemplo:

Uma ação XYZQ3 caiu 50% e está cotada a R$ 5,00 hoje.

Como pelas análises de um gestor ele acredita que o valor justo da XYZQ3 é R$ 20,00, ele fica feliz com a queda do ativo pois pode comprar o ativo com um “desconto” de R$ 15,00.

As oportunidades estão exatamente em poder comprar ativos de qualidade mais barato do que em um mercado em alta.

O que fazer?

O primeiro passo para investir na crise é entender como nossas emoções “atrapalham” na hora de tomar decisões.

Os estudos de psicologia aplicado à economia ganharam espaço nos últimos anos com dois prêmios Nobel sendo entregues aos pesquisadores Daniel Kahneman e Richard Thaler. Neles, é provado que todos nós nascemos com uma programação comportamental que prejudica a tomada de decisão com investimentos. 

É comum escutarmos o conselho de que o melhor a se fazer no mercado é “comprar na baixa e vender na alta”, mas os nossos vieses emocionais sempre nos influenciarão a fazer o contrário, comprando ativos quando estão subindo e vendendo eles quando estão caindo.

Ter consciência de que você passará por estas dificuldades emocionais é o primeiro passo para que você consiga tomar decisões mais acertadas na hora de montar ou rever a sua carteira de investimentos. Em momentos de crise, apenas os mais equilibrados conseguem superar o mercado.

Respeite a sua política de investimentos

As decisões de sua carteira devem seguir uma estratégia definida previamente. É comum no mercado fundos e investidores possuírem um documento chamado Investment Policy Statement (IPS), que são um conjunto de regras a serem seguidas em cada cenário. 

Aqui na Rio Bravo, por exemplo, acompanhei uma reunião da equipe de gestão do Fundo de Ações Fundamental e é incrível a serenidade do investidor profissional de seguir as políticas. 

No seu caso, como Pessoa Física, se você já possui carteira, não faça movimentos bruscos. Identifique se a sua decisão de sair do mercado é racional, ou meramente emocional, na dúvida, e se você não tem necessidade de liquidez, espere por momentos mais calmos para tomar a decisão. Até a eleição a volatilidade continuará e se você não vender seus ativos, não terá realizado prejuízos.

Se você não possui carteira, siga as dicas abaixo.

Qual é o seu perfil?

Saber qual é o seu perfil de investidor é fundamental para que você não perca o controle emocional. Uma tendência que percebi em mais de 10 anos trabalhando com Pessoas Físicas, é que somos mais conservadores do que imaginamos.

O ideal é começar a investir em ativos atrelados à Selic, como fundos DI, que não possuem variação negativa. Quando o montante investido chegar a um valor que permita uma diversificação, você pode começar a comprar 10% do que possui em ativos de renda variável como Ações e Fundos Imobiliários para entender como você se sentirá quando houver variação negativa.

Diversifique a sua carteira

Outro aprendizado que temos com grandes investidores é o conceito de diversificação. Ray Dalio, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a Times e um dos gestores mais respeitados do mundo, utiliza uma estratégia chamada “Portfólio para todas as estações”, em que ele busca ter ganhos independente do cenário que acontecer. Para conseguir isso ele diversifica os seus investimentos.

O momento de crise é bom para a compra de boas ações e fundos imobiliários que estão em queda. Mas como não sabemos quando a crise acabará, é interessante manter boa parte de sua carteira em ativos de renda fixa atrelados à Selic para necessidades de liquidez. 

Portanto, diversifique em Renda Fixa e Variável, e compre mais de um ativo em cada uma destas categorias.

Thiago Guedes Thiago Guedes

Financial Advisor Sênior

Bacharel em Administração pela Universidade de Brasília. Atua no mercado financeiro há mais de 10 anos onde exerceu as funções de operador de bolsa de valores, chefe de mesa de operações, planejador financeiro, gestor de equipe e instrutor de treinamentos. É ex-sócio da XP Investimentos, DXI e Guide Life. Atualmente é Financial Advisor Sênior da Rio Bravo Investimentos. Possui a certificação internacional CFP®, Certified Financial Planner.

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