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Como investir em ações nesse momento de alta volatilidade?

Quem investe em mercados de renda variável, como é o caso das bolsas de valores, está bastante acostumado com altos e baixos ao longo dos pregões. Mais do que isso, o investidor experiente sabe que oscilações momentâneas no preço da ação (ou do índice) não afetam a sua percepção qualitativa sobre a empresa analisada, pois esses momentos de alta e baixa podem ser resultado de fatores políticos (internos) ou eventos internacionais (externos), que pouco tem a ver com o real desempenho da companhia.

A verdade é que, apesar do texto do “mundo ideal” logo acima, é muito difícil para o pequeno investidor lidar com grandes perdas no mercado acionário. Até porque, em geral, a experiência do investidor brasileiro com bolsa é muito menor do que outras nações, como EUA, Alemanha e Japão. E há um motivo claro para isso. Até pouco tempo atrás, um “gestor” de fundos poderia garantir praticamente 12% ao ano aos seus cotistas, colocando boa parte dos recursos aportados em títulos da dívida brasileira atrelada à SELIC, que estava em 14,25% (ago/16). Fundos com políticas de investimento mais agressivas, por muitas vezes acabavam perdendo desses fundos conservadores, gerando desconfiança no pequeno investidor e provocando certo comodismo no momento de aplicar seus recursos para investimentos.

Com a queda sustentada dos juros, chegando ao atual patamar inédito de 6% ao ano para a taxa básica de juros (SELIC), o interesse por investimentos mais arriscados, como é o caso da renda variável, começou a aumentar gradativamente. Em maio/19, atingiu-se a marca histórica de 1 milhão de investidores pessoa física no mercado de renda variável, segundo a B3. E, com isso, muita gente começou a comprar ações e perceber, ao longo do tempo, que o comportamento dos preços dos papéis é bastante volátil, podendo ocasionar grandes ganhos (e perdas) em pequenos períodos. Para ver melhor esse argumento, vejamos o gráfico do índice Ibovespa desde 2008, que agrega as principais ações negociadas na Bolsa:

 

Fonte: B3. Extraído em: https://bit.ly/2ZyQIli

Fonte: B3. Extraído em: https://bit.ly/2ZyQIli

Como pode se perceber no gráfico acima, quem fica olhando todos os dias a cotação das ações adquiridas, pode ter muitos casos de dor de cabeça e desconforto estomacal. Brincadeiras à parte, é importante destacar alguns pontos do gráfico: (i) os retângulos vermelhos mostram momentos de baixa do mercado, como é o caso da crise financeira internacional em 2008/2009 (no qual a bolsa caiu mais de 50%) e o momento pré-impeachment, em meados de 2016; (ii) por outro lado, há momentos de fortes ganhos, como foi o caso no pós-crise de 2009, com a percepção dos analistas que a crise internacional havia deixado poucas marcas no Brasil (o caso da “marolinha”) e a euforia logo após a vitória de Jair Bolsonaro no pleito presidencial em 2018. De qualquer forma, o gráfico deixa claro que o investidor de longo-prazo, aquele que mantém os seus recursos por 5, 7 ou até 10 anos, ganhou bastante dinheiro nesse período destacado.

A frase acima é muito simples de se escrever, mas muito difícil de se colocar em prática. É um desafio imenso controlar as emoções e realizar uma análise fria sobre o potencial de uma empresa ou de um pool de companhias, mantendo a posição por um tempo suficientemente longo. Warren Buffett, o maior guru da renda variável, tem várias frases sobre o assunto, mas o que mais se encaixa nesse artigo é: “você não deve possuir ações se uma queda de 50% em um curto período de tempo lhe causar sofrimento agudo. Ninguém pode dizer quando isso vai acontecer. A luz pode, a qualquer momento, passar de verde para vermelho sem fazer uma pausa no amarelo. O temperamento importa; não QI.”.

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