Como a reforma da previdência deve afetar seus investimentos?

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Estabelecido há décadas, nosso sistema previdenciário passa a impressão de ser a garantia que todo brasileiro terá em sua velhice de ficar em situação tranquila. Tal situação, de depender exclusivamente da aposentadoria pública em seus dias dourados, já se mostra questionável nos dias atuais – basta ver como está quem depende apenas dessa aposentadoria para viver. Em tempos de tramitação de reforma, é mais uma vez válido lembrar que podemos fazer mais por nosso dinheiro para termos uma aposentadoria mais confortável.

Talvez o ponto que mais chame a atenção de quem se coloca como contrário a uma reforma previdenciária é o fato de que ela deve esticar o tempo de trabalho de um número de trabalhadores e, na prática, adiar o sonho da aposentadoria. Por mais curioso que isso pareça, esse aumento de tempo, se ocorrer com você, é uma oportunidade a mais para tornar seus últimos anos mais tranquilos. Como diz uma frase atribuída a Albert Einstein: “uma das maiores forças da natureza é a dos juros compostos”. Apesar de seu campo de conhecimento aprofundado ser outro, o gênio está correto também nesta afirmação.

Com a aprovação de uma ampla reforma previdenciária, o custo do governo para manter o sistema ativo como conhecemos se reduzirá nos próximos dez anos. Essa redução – que poderá ser do R$1,16 trilhão previsto no projeto inicial ou até cerca de metade disso -, além de deixar uma disponibilidade para outras aplicações (como saúde, educação e segurança) acabará permitindo que a taxa básica de juros da economia se estabilize em patamares próximos aos que vemos atualmente. Possivelmente, com tudo dando certo, podemos um dia no futuro deixarmos de ser “o país da renda fixa”.

No que isso impacta em seus investimentos? Tudo dependerá das expectativas futuras a respeito de questões fiscais – dentre elas, principalmente, a previdenciária.

No caso de termos uma robusta reforma aprovada, a estabilização gerada para a Selic deverá tornar investimentos em renda fixa menos atraentes do que historicamente o são. Mesmo o mais conservador dos investidores deverá olhar oportunidades melhores em termos de rendimento nos campos da renda variável e dos fundos de investimentos. Com a queda nas taxas básicas de juros, a chamada economia real tende a reagir mais no curto prazo e de maneira mais consistente ao longo do tempo.

Já em um cenário em que não se aprova reforma alguma (nem previdenciária nem nenhuma outra que possa impactar o fiscal aliviando-o), o cenário esperado para o futuro é de uma elevação ano a ano do custo do endividamento nacional, o que impacta diretamente na elevação da taxa básica de juros e na atratividade maior para os investimentos em renda fixa.

Voltando ao tópico inicial de ampliar os anos trabalhando: esteja atento a qual dos dois caminhos o país irá tomar, porque certamente com estes anos a mais de trabalho (caso seja essa sua situação se a reforma vier a ser aprovada), você terá anos a mais para investir no que deixará sua aposentadoria mais confortável.

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