Chuvas no Brasil: o custo político e econômico das enchentes

Não convivemos com terremotos ou vulcões no Brasil, mas a falta de planejamento urbano é tamanha que a chegada das chuvas de verão torna-se o anúncio do caos. É o que se observa em alguns estados da região sudeste do país, em que muitos de seus municípios se expandiram ao longo da história através da canalização de sua malha fluvial, deixando suas ruas vulneráveis às enchentes e aos alagamentos.

 

As moradias construídas pelas populações mais pobres em áreas de risco, bem como a negligência do poder público diante do problema, contribuem para escalar as fatalidades, principalmente aos deslizamentos e desabamentos. Diante dos desastres, as atividades econômicas, muitas vezes, são paralisadas.  

 

A intensidade do estrago em 2020 tem motivo: segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Minas Gerais recebeu o maior volume de chuvas nos últimos 110 anos, o que levou mais de uma centena de cidades mineiras a decretarem situação de emergência. Mais de 30 mil pessoas estão desalojadas e cerca de 55 vieram a falecer por conta dos desastres.

 

Segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), os mais de 60 milhões de metros cúbicos de lama liberados pelas barragens em Brumadinho e Mariana no ano de 2015 foram relevantes para intensificar os efeitos do recorde pluviométrico em Minas Gerais.

 

As fortes chuvas também atingiram os estados de Espírito Santo e Rio de Janeiro.  No último dia 18, o acumulado de chuva na Estação Meteorológica do INMET localizada no município de Alfredo Chaves (ES), chegou aos 210,2 mm.  Rio de Janeiro teve fortes chuvas no dia 2 de fevereiro, em apenas 1 hora, entre 22h20 e 23h30, o Alerta Rio registrou 60,2 mm em Bangu, região norte da capital carioca.

 

E o cenário econômico?

Durante reunião com o governador mineiro Romeu Zema (NOVO), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que o governo federal liberará, via medida provisória, um crédito de R$892 milhões para ajudar na reconstrução das cidades atingidas na Região Sudeste.

 

O Planalto atualmente conta com R$90 milhões disponíveis para prestar auxílio, sendo que R$7 milhões já foram autorizados para a Prefeitura de Belo Horizonte. Uma ajuda simbólica, visto que o prefeito de BH, Alexandre Kalil (PSD), estima que a cidade irá precisar de algo entre R$300 e R$400 milhões para realizar os reparos necessários.

 

As enchentes são um desafio para as autoridades não apenas no âmbito da gestão como também no âmbito político. Em um ano de eleições municipais, os episódios podem ameaçar os índices de aprovação dos prefeitos e potencializar vitórias da oposição. A reação natural dos gestores administrativos será focar na crise fiscal e nos problemas de planejamento urbano que herdaram de seus antecessores.

 

Cabe apontar que o PIB mineiro havia apresentado quedas de, respectivamente, 0,7% e 1,5% no e trimestres de 2019. Se já havia um histórico recente de recessão, os danos causados pelas enchentes e a interrupção da atividade econômica têm potencial para exacerbar o quadro durante o 1º trimestre de 2020. É outro fator que impactará negativamente na perspectiva de reeleição dos prefeitos.

 

De acordo com um levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec-RJ), 56,6% dos estabelecimentos comerciais, em 14 municípios do norte e noroeste do Estado do Rio de Janeiro, foram prejudicados pelo temporal. O prejuízo estimado é de R$ 37,2 milhões, sendo que 32% dos empresários entrevistados declararam que vão demorar mais que dois meses para se restabelecerem. 

 

Em recente informativo, o INMET publicou a previsão de chuva para os próximos dias. Entre 3 e 10 de fevereiro, destaca-se os acumulados de chuva significativos entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que podem variar entre 80 e 200 mm. Entre 9 e 15 de fevereiro, a chuva persiste na região e poderão se intensificar novamente no Estado de Minas Gerais, com acumulados superiores a 100 mm.

 

A atual tragédia no Brasil é grave e com forte impacto socioeconômico. Planejamento urbano e a discussão sobre as condições climáticas, o que inclui as chuvas, devem fazer parte dos debates eleitorais e programas de governo.

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