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Christine Lagarde: um breve histórico da futura presidente do BCE

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O Banco Central europeu terá nova direção.  Mario Draghi, presidente do banco continental durante 8 anos, sai em novembro, abrindo espaço para a primeira presidente feminina da instituição, Christine Lagarde, que recebeu o aval de ministros da Fazenda europeus nesta 3ªF (10/7) para assumir a instituição. A francesa não será só a primeira mulher a liderar a instituição, ela é também a primeira a ocupar vaga sem formação acadêmica de economista a ser nomeada para o cargo.

Nascida em Paris, Lagarde trabalhou como assistente congressional na capital americana, Washington D.C., durante o caso Watergate, que resultou no impeachment do presidente Richard Nixon. Mais tarde, Christine retornou a França, onde se formou em Direito na Universidade Paris Nanterre e, em seguida, concluiu seu segundo bacharelado, em ciências políticas, pelo instituto Aix-en-Provence.

Após a sua formação, a francesa ingressou no escritório de advocacia internacional Baker McKenzie. Como advogada, Lagrade focou em questões trabalhistas e casos de antitruste, experiência crucial que a levou a ser nomeada, em junho de 2005, ministra do Comercio Exterior. Dois anos depois, em 2007, assumiu as pastas dos ministérios de Finanças e Economia. Simultaneamente, representou a França como presidente do conselho ECOFIN da Europa. Em junho de 2011, ingressou no cargo que ocupa atualmente, a diretoria geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) – entrando para a história como a primeira mulher a assumir o cargo.

Durante os anos em que reestruturou do FMI, ajudando a instituição a recuperar credibilidade, a então Diretora-Gerente lidou com as reverberações da crise de 2008 e teve papel determinante nas discussões sobre assuntos, como o bailout grego, além de lidar com a negociação de pacotes de auxílio com diversos países de economias emergentes. Agora, Lagarde terá como desafio lidar com a estagnação econômica do velho continente.

A escolha de trocar Washington por Frankfurt não foi sem precedentes, uma vez que Christine Lasgarde sempre mostrou interesse em assuntos do Banco Central, muitas vezes demonstrando apoio à forma com que Mario Draghi conduzia a política monetária do bloco. Muito por conta disso, a sua nomeação agradou os mercados, que tem a perspectiva de uma transição suave entre as duas gestões. Mais recentemente, Lagarde tem enaltecido a postura flexível que os grandes Bancos Centrais têm defendido, tendo em vista os riscos da desaceleração da atividade econômica em escala global – sempre fazendo questão de lembrar governos de que BCs não tem poder de fogo suficiente para sustentar crescimento sozinhos.

No tocante à habilidade de Bancos Centrais de combater a próxima recessão, a Diretora-Gerente do FMI sempre se mostrou realista, apoiando os inúmeros pedidos de suporte do BCE a governos através de uma melhora nas políticas fiscais. No seu último cargo, Lagarde sempre pressionou países a promover um equilíbrio maior entre o crescimento econômico e a sustentabilidade da dívida pública, mas admite que a austeridade fiscal exagerada compromete o crescimento e causa “sofrimento desnecessário”. Em relação às taxas de juros negativas, ela defende que, apesar de prejudicar a rentabilidade, o impulso que elas dão o crescimento econômico superam este ônus.

Em vista do cenário atual, com a piora de expectativas para o horizonte da economia europeia e, ao que tudo indica, o início de um novo ciclo de relaxamento monetário por parte dos grandes BCs, as características de Christine Lagarde a qualificam para dar sequência ao trabalho de Mario Draghi. Quando se trata de crises, poucos tem maior familiaridade e a reação do mercado à sua nomeação já mostra que a nova Presidente do BCE será recebida de braços abertos.

 

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