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Com a renúncia da primeira ministra britânica, Theresa May, sobre as decisões do Brexit, o foco dos ingleses e cia se voltou aos dois candidatos que ainda podem ocupar o cargo mais alto do governo do Reino Unido: Boris Johnson e Jeremy Hunt. Ambos são sobreviventes de uma série de rodadas de votos do partido Conservador (Tory), que restam como as únicas opções para liderarem a quinta maior economia do mundo.

Independentemente de quem for, o novo primeiro-ministro terá papel determinante na saída do país da União Europeia. O êxodo é eminente, mas os dois candidatos divergem sobre como processo deve ocorrer. Ambos acreditam que ainda existe espaço para negociar uma saída com o Parlamento Europeu, apesar dos parlamentares continentais negarem qualquer possibilidade de um tratado especial para os ingleses e seus vizinhos na ilha britânica.

Boris Johnson, o candidato com mais apoio dentro do partido para ocupar a vaga, é conhecido pela sua forte personalidade e comentários controversos.  Antes de ingressar na casa baixa do legislativo britânico, o loiro de cabelo bagunçado era jornalista. Após sete anos representando o município de Henley no parlamento, Boris foi eleito prefeito da capital inglesa, Londres, por dois mandatos consecutivos.

Os focos da gestão do líder londrino foram a segurança pública, a mobilidade urbana e a habitação. Como prefeito, Boris também supervisionou as preparações e realização dos jogos olímpicos de 2012. Em 2016 voltou o parlamento antes de tornar-se secretário de relações externas, cargo que ocupou até 2018.

Jeremy Hunt, que tem temperamento mais ameno e reservado, foi professor da língua inglesa no Japão, e ingressou, em 2005, na vida pública como ministro da oposição para os inválidos e, subsequentemente, cultura e saúde. Em 2018, substituiu o seu atual rival, Boris Johnson, como secretário de relações externas.

A distinção mais importante entre os dois candidatos é a estratégia de saída da União Europeia. Ambos buscam negociar com os países do continente europeu, mas Boris determinou uma data limite para a saída do Reino Unido, 31 de outubro. O seu colega de partido não se recusa a reorganizar o cronograma.

A postura de saída defendida por Boris, que declarou que sai “com ou sem trato”, traz definição para uma questão que gera incerteza na ilha britânica há mais de 3 anos, quando os ingleses aprovaram a saída do Reino Unido da União Europeia através de um referendo popular. Por outro lado, a postura defendida por Hunt, com foco nas negociações e sem data limite, pode reduzir o impacto econômico negativo sobre a ilha britânica, independente da postura de linha dura dos parlamentares europeus.

De um ponto de vista econômico, a saída sem tratado geraria uma ruptura brusca do mercado único e na união aduaneira para os ingleses e seus vizinhos. Todos os tratados que facilitam o comércio entre a ilha e o continente perderiam vigência da noite para o dia.

O resultado prático seria a tarifação da maioria dos bens que entram e saem entre os países continentais e a ilha britânica, tornando os produtos da terra da rainha menos competitivos no seu principal mercado externo. Os britânicos devem eliminar tarifas sobre os bens europeus, com esperança de gerar reciprocidade, mas não existem garantias.  A saída também traria novas restrições para a indústria de serviços britânicos, afetando os grandes bancos ingleses e o turismo da capital mais visitada na Europa.

Theresa May tentou mitigar os efeitos da saída imediata com um plano de transição de 21 messes, que foi rejeitado pelo parlamento britânico três vezes e resultou no fim do mandato do premiê.

Independentemente de quem for eleito, o dia 31 outubro é uma data de grande relevância. Hunt terá que solicitar uma extensão para o parlamento europeu antes dessa data para dar continuidade ao processo de negociações. Os parlamentares Europeus, que já estão fartos com a longa indefinição dos britânicos, podem rejeitar o pedido, expulsando os Britânicos sem garantias comerciais.

 

Conrado Magalhães Conrado Magalhães

Analista Político

Formado em ciências políticas pela universidade Marymount Manhattan College (NY-EUA), com pós-graduação em administração pelo Insper. Possui cinco anos de experiência no ramo de consultoria política como analista da Arko Advice e agora é o analista político da Guide Investimentos.

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