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Brexit aprovado: britânicos já podem comemorar?

Com enredo de novela mexicana (cheio de nuances, idas e vindas, mas com final feliz), a saída do Reino Unido da União Europeia finalmente ocorreu na última semana, ironicamente no final de um mês que parecia não querer acabar em 2020. A vontade do povo – com 51,89% dos votos no plebiscito em 2016 – foi finalmente atendida neste ano, após adiamentos, derrotas políticas, troca de primeiro-ministro e discussões infindáveis no parlamento britânico. Até a rainha Elizabeth II declarou que o ano havia sido conturbado, e tratava o prazo final de 31 de janeiro como prioridade número um do governo (não se esqueça que o sistema britânico ainda é o de monarquia parlamentar, que apesar de simbólico, tem muita influência na política daquela região). 

 

Apesar do atraso na definição do tema, finalmente o resultado das urnas chegou de fato a uma definição concreta: o Reino Unido não faz mais parte da União Europeia. E com isso, algumas questões permanecem sem respostas aparentes, mas que deverão ser solucionadas nos próximos 11 meses, no qual os termos do divórcio serão implementados, que envolvem acordos comerciais, segurança, a livre circulação de pessoas, entre outros assuntos.

 

Relativo ao comércio, com o Brexit valendo temos o Reino Unido com permissão de fazer acordos diretos com quem quiser – o Mercosul, por exemplo, já se movimenta na direção de um possível acordo futuro. Porém, importante ressaltar que apesar dessa liberdade maior de negociar com o resto do mundo, no curto prazo de onze meses deverão ser verificados todos os aspectos do comércio com o continente logo ao lado. Parece algo “já resolvido”, mas, observando com cuidado o enorme tempo tomado apenas para que a separação ocorresse, não deverá ser algo tão trivial negociar algo tão mais complexo.

 

Dois breves episódios – talvez meramente simbólicos, mas que podem significar algo – demonstram como a saída comemorada pelos britânicos talvez não seja tão fácil de lidar. Nigel Farage, um dos representantes do Reino Unido no Parlamento Europeu (e líder do partido que trabalhou pelo Brexit ativamente), quando do discurso final anunciando a partida teve a ideia de levantar bandeiras nacionais para dar adeus àquela entidade e, por esse motivo, teve seu microfone silenciado por Mairead McGuinness, que tocava a sessão; como se pouco fosse, ainda ouviu dela: “tirem essas bandeiras daqui e as levem com vocês já que estão indo embora”. Curioso que, por coincidência, o microfone de Farage foi cortado bem no momento em que ele anunciava o anseio de negociação comercial “como soberanos” entre o Reino Unido e a União Europeia.

 

Outro caso, dessa vez mais cômico, foi o do selo postal comemorativo da Áustria. Para celebrar a saída do Reino Unido da União Europeia, uma cutucada sutil: selos postais com a data do Brexit e o mapa do continente em azul (com exceção, é claro, dos que acabaram de sair do bloco). A parte mais curiosa deste caso é que os selos já estavam prontos para serem lançados em outra data, 29 de março de 2019 – mas como veio a ocorrer mesmo em 31 de janeiro de 2020, a outra data impressa aparece riscada. Um recado bastante sincero de que a saída já era mesmo dada como certa e só se aguardava a concretização para ser celebrada.

 

Por falar em celebração, por mais que em algumas partes houvesse quem tenha se desapontado com a decisão, muita comemoração pela saída pode ser vista na terra da rainha. A decisão democrática do povo é soberana e foi respeitada, mesmo que tenha demorado tanto tempo e custado tanto capital político – lembremos que, nesse meio do caminho, até queda de primeira ministra tivemos (Theresa May).

 

Outro aspecto notável de mudança com essa saída: agora a política de circulação de pessoas também será livre. Segundo o que se levantou até então, uma das medidas a serem tomadas pelo Reino Unido será a atração de imigrantes qualificados. Essa questão também não será fácil, porque alteraria o atual fluxo mais livre de entrada de imigrantes ao qual a União Europeia está acostumada.

 

Nesta coluna você deve ter verificado como acompanhamos a saga do Brexit em alguns momentos diferentes. Foram três artigos: um sobre as incertezas que esse evento acaba por gerar, um segundo apresentando que mesmo caso não se concretizasse já teria causado instabilidades irreversíveis e um terceiro, de outubro de 2019, questionando se finalmente a complicada saída seria enfim concretizada. De fato, como nos artigos que já tivemos aqui no Blog da Guide a respeito do assunto, há incertezas em jogo, o balançar de tabuleiro político faz com que algumas marcas não possam mais ser desfeitas e, agora, há um agravante: os onze meses para que as mudanças sejam acordadas realmente são o prazo final (uma vez que o Reino Unido já se encontra fora da União Europeia e, dessa vez, não há adiamento).

 

No final das contas, reforça-se, a vontade do povo foi soberanamente respeitada. Resta saber, nos próximos meses, o quanto a comemoração pelo alívio da saída terá valido a pena em melhorias reais quando se concretizar por completo a partir de 2021.

 

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