Brasil: Feliz 2019! Foco no que vem por aí

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A expressão “no Brasil o ano só começa após o carnaval” parece batida, mas é sabido que em muitos setores acaba sendo encarada como verdade. Algo acontece em terra brasilis entre o natal e o carnaval que nos faz acreditar em um verdadeiro “período de limbo” em que as coisas não estão acontecendo, mas também não estão paradas.

Esse compasso de espera contagiou, não surpreendentemente, até o governo.

Recém-eleito (embora estes primeiros meses já tenham sido de tantas emoções), o governo Bolsonaro suscita fortes expectativas a respeito de mudanças nos rumos econômicos, principalmente no tocante aos gastos do governo. Mais diretamente: a reforma da previdência é o assunto principal da pauta.

Com o pé atrás em virtude do murchar de expectativas que vimos em 2018, muitos agentes econômicos, mesmo quando otimistas, estão em compasso de “vou pagar pra ver”. Não é para menos: o PIB, que começou o ano passado com louvores de “no mínimo 3% esse ano”, ao cair do dia acabou encerrando em 1,1%. A máquina do tempo que foi essa crise nos trouxe a 2012.

As condições agora são novas. A equipe econômica reconhece os problemas e indica fortemente que sabe quais devem ser os caminhos adotados, e o governo dá sinais de que irá apoiar tais mudanças, independentemente do quão impopulares eles são. Mas, sem jogar água no chopp: tirando o fato do governo agora apoiar, o mesmo “agora vai” aconteceu com o início do segundo mandato de Dilma Rousseff.

A precificação atual dos ativos está focada no fato de que alguma reforma irá ocorrer – não se sabe qual, nem seus efeitos, mas algo será feito em relação ao perigoso trajeto elevatório que têm percorrido a dívida pública brasileira.

Dado que o diagnóstico é razoavelmente claro e as soluções já estão sendo encaminhadas, é possível imaginar que a batalha dessa reforma seja essencialmente de comunicação para apresentar os reais benefícios (a tentativa de estabilizar o sistema e não virarmos um país meramente pagador de aposentadorias) e as injustiças a serem corrigidas (equiparando o tempo de aposentadoria entre os mais ricos, que se aposentam antes, e os mais pobres, que já se aposentam nas proximidades do que se propõe como idade mínima hoje).

É claro que para muitos de nós – e provavelmente, você que está lendo este artigo faz parte disso – o ano já começou muito tempo atrás. Talvez dia dois, três de janeiro, no máximo dia sete. Mas, aproveitemos a empolgação do “começo do ano brasileiro” para aguardar com mais proximidade que avanços ocorram no que se foi prometido durante a campanha eleitoral, a transição de governo e estes primeiros longos dois meses que se passaram.

Feliz ano novo! E que as promessas feitas passem do nível “amor de carnaval” – para o bem do Brasil que tanto espera sair desta pista de patinação que tem sido o pós-crise do duênio 2015-2016.

 

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