Bolsonaro venceu. E o mercado com isso?

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Deu Bolsonaro no segundo turno. Confirmando as expectativas de pesquisas próximas ao pleito, o candidato do PSL angariou 55% dos votos válidos. Para você, investidor, o que deve mudar?

A priori, certamente será observado um otimismo com a situação, com dólar sendo valorizado e os ativos listados em bolsa também. O curto prazo mostra esse viés positivo basicamente porque a plataforma vitoriosa no domingo tem caráter liberalizante e porque a proposta perdedora sinalizava o contrário disso, com uma inserção ainda maior do tamanho do Estado sobre diversas decisões pessoais e corporativas.

Essa impressão passará por um teste logo em seus primeiros meses.

Assim como quando Temer entrou para a presidência e o otimismo imenso o rondava baseando-se em mudanças que seria capaz de promover resultou em alta considerável na Bovespa e queda forte do dólar, temos de separar o curto prazo otimista da capacidade real de mudanças.

O cenário de curto prazo é que agora Bolsonaro irá começar a articular oficialmente a montagem de seu ministério. Considerando que irá seguir o que pregou, preferencialmente essas nomeações serão de caráter técnico e terão como foco uma redução do papel do Estado em diversas esferas. Já durante os próximos dois meses podemos ter confirmação de expectativas positivas atuais ou decepção com os nomes apontados.

A avaliação real sobre a capacidade de mudanças começa no primeiro semestre de 2019. Com o apoio típico que um presidente recém-eleito costuma ter (salvo exceções, como Dilma em 2015), Bolsonaro poderá colocar em pauta para razoavelmente rápida aprovação diversas e importantes questões, como a reforma previdenciária e a reforma tributária, cujo efeito fiscal pode ser positivo. Além disso, pode também colocar em discussão a desestatização de algumas empresas e a desburocratização para o setor produtivo.

Considerando que seus planos são um tanto nebulosos (quase sempre dependendo de um “posto Ipiranga” que se pronuncia muito menos do que ele) e que muitos dos que se associaram a ele pelo meio do caminho representam o clássico corporativismo brasileiro, este cenário positivo pode estar distante. Mas, de qualquer maneira, o benefício da dúvida foi entregue pelo povo brasileiro ao agora eleito Jair Bolsonaro.

As próximas vitórias de Bolsonaro, como presidente, dependerão de sua capacidade de articulação de um país liberal economicamente que pregou ter intenção de alcançar. Caso demonstre ser capaz desse alcance, exercerá um governo bem avaliado e o mercado seguirá positivo; caso o discurso não se transforme em ação (ou nem dê sinais de começar ainda em 2019), a decepção se refletirá também em desvalorização dos ativos e frustração de expectativas econômicas.

 

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