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Bolsonaro em Davos: mais economia, menos ideologia

Durante sua primeira viagem internacional como presidente do Brasil, Bolsonaro compareceu com uma equipe de ministros ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. A ausência de outras figuras bastante importantes como Theresa May, Donald Trump e Xi Jinping e o otimismo espalhado com sua eleição o colocam em posição de destaque nessa conferência.

Seu aguardado discurso foi breve, durou menos de dez minutos, e fartou-se de afirmar que o Brasil está em plena transformação. O foco foi o de dizer que estamos abertos ao mundo que quiser investir em terras tupiniquins e que, diferentemente do que se havia (ao menos de impressão) anteriormente, não olharemos mais parceiros de investimentos apenas sob a ótica da ideologia ou das supostas “nações amigas”. Foram apresentadas também, no breve discurso de Bolsonaro, os compromissos de reformar a previdência e abrir mercados.

Não que de um discurso esperássemos as soluções todas do Brasil – ainda mais pelo fato de que tais ideias ainda estão sendo apresentadas por aqui e só começarão a ser discutidas após o recesso das casas legislativas e a posse dos novos representantes. Mas a falta de profundidade no como chegar a esses fins desejados deixou uma sensação de que falta algo.

Se por aqui o estilo “solta a notícia e depois vê, a depender das opiniões, se confirmamos ou se desmentimos” tem razoável sucesso entre seus apoiadores, para o resto do mundo que investe a ideia central é a da confiança na palavra. Sendo o Brasil um país com um enorme mercado e atualmente posicionado em um pré-ciclo econômico positivo (dado o fato de ter saído de sua maior crise econômica e ter considerável capacidade ociosa a ocupar), agora faltará colocar na prática o discurso anunciado, ou aguentar o efeito negativo existente de não se manter a palavra.

Como já falamos que o Bolsonaro venceu e o que o mercado tem com isso, uma batalha importante a ser vencida para colocar a pauta liberal em prática é contra o corporativismo do congresso eleito. O presidente conta mesmo com vários apoiadores, mas de grupos de interesses diferentes que podem fazer valer suas opiniões. Um deles, para citar, é o dos militares: alguns deles já se manifestam contra a presença deste grupo na reforma previdenciária – o que talvez a tornaria mais uma reforma meia-sola como as que já vimos em outros tempos.

Apesar de já discutido diversas vezes desde o final do segundo turno das eleições presidenciais de 2018, Bolsonaro representa por um lado a continuidade de mudanças iniciadas no governo Temer e por outro a guinada em assuntos que por este último permaneceram iguais. Há real expectativa de que, como o próprio presidente afirmou tantas vezes, seja possível “mudar isso daí”.

Por ora, assim como no discurso em Davos, o que se aguarda é que a “batalha contra a ideologia” seja superada pela deliberação real de avanços econômicos. Ou então, como alguns críticos ferozmente indicaram após este discurso, o resultado será “um fracasso”.

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