Bolsonaro e a Bolsa de Valores: a combinação que dá jogo?

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Um otimismo – como há muito tempo não se via – tomou conta dos operadores e investidores da Bolsa de Valores brasileira, a Bovespa. Considerando o fechamento desta última terça, 15/01, o índice Ibovespa já subiu 7,02% em 2019, valor superior ao que um investidor que aplicou seus recursos no CDI irá receber apenas no final de 2019, uma vez que o CDI atual é de 6,40% ao ano. A alta impressionante das ações no começo desse ano tem muito a ver com um conceito fundamental na ciência econômica: expectativas.

Mais do que decisões concretas, o mercado tem pautado suas iniciativas de investimento a partir das sinalizações e acontecimentos do atual governo. E mais do que isso: parece que a simples troca de governo (e de ideologia de governo, do PT para o PSL) é condição suficiente para fazer o mercado acionário disparar. Fato semelhante a uma troca de técnico em um time de futebol que vem mostrando resultados fracos no campeonato: a simples troca da comissão técnica pode trazer resultados bons no curto-prazo, ainda que os jogadores sejam os mesmos.

No caso brasileiro, muitos empresários (lado da oferta) esperaram a definição eleitoral para tomar a decisão de investimento e de contração de novos funcionários; pelo lado dos consumidores (eixo da demanda), as indefinições políticas postergaram o movimento de consumo, o que por sua vez afetou as decisões dos empresários e produtores.

Nem as batidas de cabeça na primeira semana do governo Bolsonaro “fizeram cócegas” nesse otimismo dos investidores, que seguem comprando ações e apostando na alta do índice brasileiro. E estamos bem falados até nas gringas: a revista Forbes divulgou um artigo comemorando o bom início do mercado acionário brasileiro, mencionando-o como o “melhor do mundo nesse momento”.

Mas o que estaria por trás das expectativas positivas para a economia brasileira? Primeiramente, a continuidade das reformas macroeconômicas, iniciadas na gestão Temer e que devem prosseguir no governo Bolsonaro, capitaneado pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes. Além disso, a baixa taxa de juros (SELIC) aliada à melhoria das expectativas de empresários e consumidores, além de uma alta taxa de ociosidade produtiva podem ser a combinação que os agentes econômicos aguardavam para impulsionar a economia.

Contudo, nem tudo são flores. Como mencionado no ótimo Relatório Anual da Guide, um cenário adverso seria o de dificuldades na aprovação das reformas econômicas ou até, em cenário altamente pessimista, a não aprovação dessas reformas. Nesse caso, as previsões seriam revistas e o cenário otimista se dissiparia rapidamente, com possibilidades de aumento nos juros e menores taxas de crescimento para a economia nos trimestres seguintes.

De qualquer forma, Bolsonaro vem usando o momento a seu favor. Exalta com frequência os recordes nominais do índice Ibovespa e a queda da cotação do dólar por meio da sua conta no Twitter, semelhante ao observado no primeiro ano do governo Trump nos EUA.

Aproveitando-se da elevada popularidade nesse início de governo, Bolsonaro corre para aprovar as reformas já nesse primeiro ano e convencer a população da importância delas para o crescimento sustentável da economia nos próximos anos. Um desafio e tanto, para o qual o mercado tem quase certeza que o presidente eleito terá sucesso.

A Bolsa de Valores brasileira já reflete essa expectativa; ou como diz o jargão de mercado: “já está no preço”.

 

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