Bolsonaro cogita recriar ministério da Segurança e reascende rumores sobre atrito com Sergio Moro

Apesar dos vários avanços conquistados na área de segurança pública durante primeiro ano do governo Bolsonaro – como reduções notáveis na taxa de homicídio, roubos a banco, furto de veículos, entre várias outras– o presidente da República cogita a criação de um ministério da Segurança Pública, atualmente uma competência do ministério da Justiça, chefiado pelo ministro mais popular do governo, Sergio Moro. A criação da nova pasta reduziria a influência do ex-juiz dentro do governo. A pasta da Segurança foi criada pelo então-presidente Michel Temer em julho de 2018, mas foi extinguida durante a reestruturação da esplanada feita por Jair Bolsonaro.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), opinou que a extinção do ministério foi um erro e o retorno da pasta sinalizaria a priorização do importante tema. O Conselho de Secretários de Administração Penitenciária (Consej) divulgou uma nota proferindo opinião contraria, chamando a proposta de inoportuna em vista da necessidade de integração de forças no combate à criminalidade.

A confirmação por parte do presidente de que o retorno da pasta está sendo estudado deve dar nova vida aos rumores que alegam a existência de atrito entre o Sergio Moro e o atual presidente. No ano passado, a falta de prioridade dada pelo presidente ao pacote anticrime, principal projeto do ministro da Justiça a tramitar pelo Legislativo, além da sua decisão de promulgar o projeto sem vetar a criação do juiz de garantias, alteração mal vista pelo ministro na época, levaram muitos a cogitar que existia algum embate entre o presidente e seu ministro estimado.

Além da questão da possível formação do novo ministério, em novembro uma nova vaga no Supremo Tribunal Federal será aberta. Cabe ao presidente escolher um nome para a cadeira que será desocupada pelo ministro Celso de Mello, que atinge idade de aposentadoria compulsória de corte, 75 anos. Durante sua campanha eleitoral, o então-candidato Bolsonaro, havia prometido a próxima vaga no STF ao juiz lavajatista. Algumas messes depois, o presidente revelou que pretendia nomear um juiz “terrivelmente evangélico” – Moro já esclareceu que é católico.

A popularidade de Moro, que supera a do atual presidente da República, levou alguns a cogitarem a possiblidade do ministro se lançar como candidato presidencial em 2022. É difícil imaginar a concretização de um cenário onde Moro embarca em uma campanha para impedir a reeleição de Bolsonaro. Mesmo assim, a decepção frente a atuação do governo no combate à corrupção, principalmente após as acusações de lavagem de dinheiro e peculato contra o senador e filho do presidente, Flavio Bolsonaro, além dos atritos supramencionados, devem dar continuidade ao desassossego entre Moro e Bolsonaro.

Conrado Magalhães Conrado Magalhães

Analista Político

Formado em ciências políticas pela universidade Marymount Manhattan College (NY-EUA), com pós-graduação em administração pelo Insper. Possui cinco anos de experiência no ramo de consultoria política como analista da Arko Advice e agora é o analista político da Guide Investimentos.

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