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Bolsa de valores: Entenda mais sobre esse cassino

 

Todos os dias vemos notícias falando se a bolsa subiu ou desceu, números positivos e negativos, uma espécie de termômetro instantâneo da economia. Se tudo vai bem, a bolsa sobe, se algo está fora do lugar, ela cai. Essa dinâmica um tanto quanto errática sempre nos dá a impressão de que a bolsa é um grande bingo ou uma enorme roleta que o mercado joga, onde as ações são os números escolhidos pelos participantes para fazerem suas apostas. 

Mas a bolsa de valores não é uma casa de apostas, e sim uma importante ferramenta para canalizar investimentos que são primordiais para o crescimento da economia. É simplesmente um mercado, uma espécie de feira livre extremamente organizada, em que acontece a compra e venda de ações. Antigamente, em sua criação, as bolas eram locais físicos onde as pessoas se encontravam para comprarem e venderem suas ações (que também eram papéis físicos). Com o tempo, a bolsa foi ficando mais sofisticada, tanto em produtos quanto na forma de como as operações são feitas. E com a informática, a bolsa deixou de ser um local físico e se transferiu para o online, onde hoje todas as operações são feitas via internet.

Ações nada mais são que direitos de propriedade que uma empresa pode emitir. Quem compra uma ação, não está comprando uma aposta no jockey financeiro, mas sim uma fração da propriedade de uma empresa. A única “aposta” que é feita é na expectativa do futuro daquela empresa e em como a economia do país pode afetar seu desempenho. 

Ações já existem a centenas de anos. A famosa companhia das Índias ocidentais foi uma empresa criada pelo governo holandês para explorar o comércio no novo mundo e foi inteiramente financiada por emissões de ações. Investidores trocavam seu capital por uma porcentagem na empresa e, por consequência, nos lucros das empreitadas comerciais para buscar especiarias, metais preciosos ou até mesmo descobrir territórios inexplorados. Era uma aposta, não por si própria, mas em um grande empreendimento. E o fato dos investidores comprarem um pedaço da empresa, faz com que eles carreguem o risco do negócio junto com a empresa, alinhando interesses. 

Assim como todo tipo de investimento financeiro que podemos fazer, ações não são instrumentos de especulação. Se parar para pensar, uma ação é uma simples compra de uma empresa e o mercado permite que você compre 0,00001% da empresa, 10% e, em casos mais extremos, até 100% para usufruir dos lucros dessa empresa, assim como os holandeses do séc XVI fizeram na companhia das Índias. 

A bolsa cumpre dois papéis importantes. O primeiro deles é informacional. Como existem compradores e vendedores em abundância, é possível saber de forma instantânea o quanto valem as principais empresas do país. O preço é formado a cada segundo, onde milhares de investidores usam toda a informação disponível para tomarem suas decisões. Os investidores também ficam em cima da empresa monitorando todas as ações que a diretoria faz, o que é muito bom, pois traz mais transparência e segurança para todos os investidores. Como as informações e expectativas mudam o tempo todo, isso tem reflexo instantâneo nos preços, por isso a variação constante das cotações e a impressão de que tudo é um grande cassino. 

O segundo e mais importante papel da bolsa de valores, é o fato dela ser um grande meio de canalização de poupança para investimento. Só existe investimento por parte das empresas que vai gerar mais empregos e lucros, se houver dinheiro disponível para isso (poupança). Portanto, a bolsa, assim como todo o mercado financeiro, utiliza a poupança de milhares de investidores (pessoas comuns, empresas e agentes financeiros) e as transferem para as empresas que estão lançando ações na bolsa. Em troca, as empresas e seus donos dão um pedaço do negócio (um bloco de ações) por este capital. Lembra dos holandeses?

No final das contas, as apostas não são feitas por puro acaso. A bolsa não é um cassino permeado por jogadores compulsivos, mas sim por investidores que apostam não no acaso, mas sim no futuro de empresas, aportando capital na expectativa de capturarem um pedaço dos lucros futuros e, por consequência, na valorização dessas empresas. 

No final do dia, a bolsa é um cassino do bem, onde o dinheiro vai para aqueles que precisam dele para expandirem e operarem seus empreendimentos e, ao mesmo tempo, remunera os investidores que apostam no futuro das empresas. 

Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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