Boeing e Embraer: valor estratégico ou sinergia?

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O mercado da aviação mundial recebeu uma notícia importante no meio de 2018: Boeing e Embraer anunciaram que estariam para formar uma Joint Venture. Dois destaques logo vieram à tona, pela opinião de especialistas: a depender dos resultados da negociação, a empresa brasileira perderia valor estratégico ou ocorreria uma sinergia que a colocaria de vez no mercado global.

A Embraer já é conhecida mundialmente por seus jatos executivos econômicos, elegantes e com uso elogiado pela interação amigável com o usuário. Também é conhecida em todos os cantos pela ilha de excelência que representa em termos de mão-de-obra técnica, pesquisa e desenvolvimento de produtos na área em que atua, gerando produtos comercialmente viáveis e também soluções de segurança militar ao Brasil. São estes os dois fatores que, simultaneamente, geraram preocupação e animação com essa união.

O fato de ser eficiente no processo de colocar seus jatinhos executivos no mundo representa uma possibilidade bastante positiva com essa fusão. Atualmente, um dos mercados que poderiam passar a ter mais aeronaves da Embraer é o dos EUA, no qual atualmente temos a Bombardier (principal concorrente da Boeing) como presença – e, segundo a própria Boeing, isso ocorre devido a incentivos canadenses e ingleses que permitem que a empresa venda seus aviões abaixo do preço de custo.

A alta capacidade de geração tecnológica e estratégica em termos militares é uma preocupação com essa operação entre a brasileira e a norte-americana. Existe inclusive uma cláusula, a chamada Golden Share, que permite que o governo brasileiro vete operações que prejudiquem a soberania nacional em qualquer circunstância. O governo Bolsonaro já sinalizou que não vetará a operação porque não observa que haverá danos desta natureza.

Ainda está sendo discutido como funcionará na prática o acordo entre as duas empresas. Mas, pelo que se tem até então, será criada uma nova companhia na qual 80% das ações serão da Boeing e 20% da Embraer, tendo a norte-americana responsabilidades comerciais e a brasileira mantendo suas atividades para aeronaves de segurança nacional e jatos executivos.

Colocando de lado a discussão clássica no Brasil do que seria ou não “estratégico ao nosso futuro como nação”, não podemos nos esquecer que a Embraer não é uma empresa que deve fazer qualquer negócio por fazer. Caso a negociação em curso seja bem-sucedida, a empresa brasileira verá suas atividades se reduzirem (ficarão apenas em jatos executivos e defesa) em relação ao leque que possuem atualmente e, na prática, ficarão mais dependentes das ações da norte-americana, o que tem incomodado os acionistas.

A situação atual é de que o conselho de administração deu aval à operação e o governo afirma não se opor (ou seja, não usará a golden share). Ainda falta a aprovação por parte dos acionistas. Vencerá o pensamento da sinergia positiva ou do risco de perder valor estratégico nacional? Acompanhemos os próximos capítulos.

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