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Black Friday, a data da colheita para o varejo brasileiro

A Black Friday ou Black November (a depender do caso) conquistou o consumidor brasileiro, de forma a ter sido incorporada no calendário tupiniquim como uma espécie de sinônimo de data para fazer compras. Mas se essa data parece já ter sido cultivada no coração dos consumidores, o que dizer daqueles que ficam do outro lado do campo – os nossos valentes e corajosos empreendedores? Será que também foram conquistados? Ou melhor, será que há motivos para o varejo se entusiasmar com a Black Friday? É isso o que iremos descobrir.

Não é nenhuma novidade que nos últimos anos, a vida não tem sido nada fácil para os empreendedores no Brasil, sobretudo para os do ramo do varejo. A mistura de crise econômica junto com instabilidade política acarretou em milhões de desempregados e numa lista quilométrica de endividados, gerando o esvaziamento de vendas no varejo e, por consequência, no acúmulo de estoques. Diante desse cenário, foi necessário adotar novas estratégias, como uma data em especial, com a intenção de atrair os consumidores. Esse foi o princípio da Black Friday no Brasil, um dia que pode se tornar semana ou mês, criada originalmente nos EUA com o objetivo de limpar os estoques antes do período do Natal.

Então pela própria necessidade – de sobrevivência –, o varejista brasileiro teve que abraçar a Black Friday como uma oportunidade. Mas tal aderência não é nada trivial, pois para colher os frutos dessa data, faz-se necessário despender um grande planejamento, de forma a maximizar o resultado dessa colheita. Em 2017, por exemplo, a Black Friday gerou R$ 2,1 bilhões de faturamento apenas para o e-commerce, uma elevação de 10,3% em relação ao mesmo período do ano anterior (em 2016 o faturamento ficou em cerca de R$ 1,88 bilhões).

No entanto, é provável que a potencialidade da Black Friday ainda não tenha sido explorada de forma plena, dado ao tamanho da fertilidade de vendas capaz de ser propiciada por essa data. Segundo pesquisa realizada pela OLX, 52% dos entrevistados afirmaram planejar alguma compra para a data, enquanto que 48% preferem aguardar por oportunidades ocasionais. Se em 2014 27% da população tinha algum conhecimento sobre o que era Black Friday, no ano de 2018 esse número saltou para 99,5%.

O e-commerce, em especial, talvez seja o setor que mais tenha se beneficiado, em grande parte por também ter sido o principal semeador da data, já que as pessoas não estão dispostas em apenas abarrotar lojas de departamento e hipermercados para se estapearem por itens com preços vantajosos, mas também estão prontas para perder a fobia de comprar pela internet. Em 2018, 14% dos consumidores virtuais fizeram sua primeira compra online a partir de uma Black Friday.

Apesar da grande correlação entre e-commerce e Black Friday, as compras em lojas físicas não podem de maneira alguma serem esquecidas, ainda mais com a maior integração entre operações online e físicas. Essa integração atende pelo nome de serviços multicanais, que permitem ao consumidor comprar algum produto pela internet, para posteriormente retirá-lo em alguma loja física. O inverso também pode ocorrer, com produtos sendo comprados em lojas e sendo entregues em casa. Para esse ano as projeções indicam que 38% das vendas ocorrerão pela internet, 37% em loja física e 25% através do serviço multicanal.

Mas claro que toda boa lavoura está sujeita a pragas, e no caso da Black Friday não seria diferente. Acontece é que, em edições passadas, algumas lojas inflacionaram antecipadamente os seus preços para que no dia da Black Friday fossem realizadas promoções fakes, que na realidade só faziam os preços retornarem ao preço normal antes do “inflacionamento”. Esse golpe ficou conhecido como Black Fraude, tendo sido logo desbaratado, ficando longe de ter impacto significativo sobre as vendas.

Mais do que um dia ou mês, a Black Friday é a data para a colheita do varejo brasileiro. Os frutos prometem ser cada vez maiores, como os dados apontam, premiando aqueles que investiram durante todo o ano nesse evento originalmente importado dos EUA, mas que já está bem enraizado nos consumidores e varejistas do Brasil.

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