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Banco Central e a Selic: cautela justificada

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A definição da taxa básica de juros pelo Banco Central se dá de maneira independente tacitamente – ainda não por meios legais, embora exista uma discussão sobre isso. O principal dano que pode ser evitado com essa independência é a ingerência política sobre as decisões, tal qual vimos no primeiro mandato de Dilma Rousseff, em que a Selic se reduziu de maneira forçada e precisou praticamente dobrar de patamar (saindo de 7,25% e chegando a 14,25%) para reverter o início de descontrole nos preços.

Porém, para além das pressões políticas, temos também as pressões do mercado. Tais pressões não podem ser descartadas, mesmo que sejam diferentes das ingerências políticas.

Entre agosto e setembro deste ano, duas economias emergentes decidiram recorrer a um choque de juros para conter o derretimento de suas moedas: a Argentina elevou seus juros a 60% (em abril o patamar era de 32,5%) e a Turquia elevou a 24% (saindo de 17,75%). Nessa mesma época, observou-se atentamente o BC buscando descobrir qual seria a reação em termos de juros – esperando que um choque viesse a ocorrer.

A resposta do Banco Central foi categórica: juros são usados para controle de preços (inflação), mecanismos de swap cambial e reservas são usados para o câmbio. Tal reação colocou maior firmeza de ação da autoridade monetária frente às pressões que o mercado exercia naquele momento. Mas, é de se pensar: se fosse executar um choque de juros, deveria sair dos atuais 6,5% para quanto? 8%? 10%?

Após a mais recente reunião do COPOM, que manteve a Selic em 6,5%, algumas instituições do mercado reajustaram suas taxas para baixo também para os próximos períodos. Hoje, acredita-se ser possível o encerramento até de 2019 com este mesmo patamar de juros.

Essa cautela da autoridade monetária brasileira se deve a uma série de fatores, dentre eles o ancoramento das expectativas inflacionárias nas proximidades do centro da meta e o levar em consideração que reformas que aliviem o lado fiscal devam ser aprovadas a partir de 2019.

Nosso Banco Central dá hoje uma lição de objetividade e foco de maior prazo, ao não sucumbir à política e nem às pressões mercadológicas. O objetivo é, como já afirmado, a estabilidade dos preços do país, não agradar o governo vigente ou os interesses curto-prazistas de quem quer que seja.

Importante ressaltar que essa cautela não significa falta de reação, basicamente porque aquilo que o COPOM observa para definir o rumo do custo do dinheiro está ancorado.

Pode ser que o cenário mude por completo e hoje as previsões que vemos no Boletim Focus tornem-se uma miragem. Mas ter uma autoridade monetária que olhe para o depois de amanhã em vez de focar no minuto em que se vive é positivo ao país como um todo. Grande parte da boa política econômica do pós-Dilma advém disso, é salutar que assim continue com Bolsonaro – melhor ainda se for com base legal.

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