Avianca e o perigo do concentrado mercado aéreo brasileiro

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Em dezembro de 2018, a Avianca, empresa que apresentava crescimento e boa avaliação por seus passageiros, anunciou que entrava em regime de recuperação judicial – que é, em termos práticos, uma última tentativa de recuperar as atividades antes que ocorra uma falência, protegendo o crédito do devedor e procurando restabelecer os rumos da companhia.

Este processo de recuperação judicial envolve também as empresas que fizeram leasing das aeronaves para a Avianca, naturalmente. De acordo com um tratado internacional, esse tipo de empresa deveria ficar fora de processos assim a fim de permitir que, em até trinta dias, ou a dívida existente seja paga ou os bens (no caso, as aeronaves) sejam devolvidas. Mas, por uma liminar concedida que objetiva manter as atividades da empresa, essas empresas foram colocadas na negociação também – o que adiciona um problema ao todo: as ações judiciais delas para mudar essa situação.

O mercado aéreo brasileiro é bastante concentrado. Existe um número considerável de empresas, mas, segundo os dados de participação de mercado da ANAC, 86,99% dos passageiros estão voando em apenas quatro empresas aéreas: Latam (29%), Gol (28,39%), Azul (19,18%) e Avianca (10,42%). Não fica difícil imaginar o quanto as primeiras três empresas têm se beneficiado dessa recuperação judicial em termos de ampliar seus mercados.

Não é novidade para quem se utiliza dos serviços aéreos no Brasil que, além de concentrado, esse mercado é geralmente ineficiente – tanto que oferece serviços de qualidade questionável a preços razoavelmente altos e ainda assim se verificam notícias a respeito da dificuldade financeira delas. Essa eficiência deve melhorar com a permissão da entrada de empresas com capital 100% estrangeiro – e elas já estão chegando para, a um preço mais baixo, oferecerem uma interligação maior que amplie a capilaridade do sistema aéreo brasileiro.

Voltemos à Avianca. Seu grande pecado foi atuar de maneira muito arriscada em termos gerenciais – não que ampliar o mercado em momentos de crise seja má ideia, mas o fazer de modo próximo ao limite operacional (ampliando o que oferecia ao consumidor, mas ao custo de um aumento de dívida de maneira vertiginosa). O pedido de recuperação judicial seria uma tentativa de reverter a situação, mas, por ora, o cenário encontrado é bastante instável.

Este caso é mais uma demonstração do paradoxal resultado da concentração de mercados: os poucos players ficam com boa parte do mercado e, por uma certa acomodação com tal situação, esquecem-se (porque, afinal de contas, não vale a pena) de se atentar à eficiência dos processos e, no fim das contas, amargam os próprios prejuízos.

O remédio é amargo no curto prazo e gera reclamação principalmente de quem não se prepara quando tem a chance: chama-se competição.

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