Apple perde um Facebook em valor: depender de inovação custa caro

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Em 2018 observamos um fenômeno surreal: pela primeira vez na história uma empresa superava US$1 trilhão em valor de mercado. Essa empresa era a Apple – pouco tempo depois a Amazon também superou essa marca.

Após um dezembro turbulento no mercado de ações norte-americano, com perdas históricas em praticamente todos os setores – as maiores desde os anos de 1930 e 1931, impactados pela recessão de 1929, para este mês -, vimos a empresa da cobiçada maçã entrar em 2019 tendo registrado uma perda impressionante: mais de US$450 bilhões foram embora desde o pico alcançado em 3 de outubro de 2018.

Para se ter uma ideia, essa perda supera, em valor, 496 empresas do índice S&P500 (apenas Microsoft, Alphabet, Amazon e Berkshire Hathaway têm valores superiores). A perda supera o valor de mercado do Facebook e é o triplo do valor do McDonald’s.

Se por um lado essa perda foi reflexo de uma desvalorização imensa nos ativos de renda variável como um todo nos Estados Unidos, outro fator também é determinante para a variabilidade do valor da Apple. Este fator é a dependência da inovação, como falamos em: Apple e Amazon: Quem fica acima do trilhão?

Brevemente apresentada, essa dependência é o necessitar da Apple em ter produtos realmente inovadores que consigam manter as receitas, as margens e a subida de valor. Provavelmente o leitor vai pensar que esse é o desafio de qualquer empresa, porém, se para o mercado como um todo é preciso que essa corrida competitiva ocorra para conquista de mais marketshare, temos a Apple como sendo dependente disso para manter o que conhece atualmente como patamar de valor.

A justificativa apresentada por Tim Cook, em uma carta surpreendentemente negativa aos investidores, baseia-se em dois aspectos: as receitas do mais recente iPhone estão diminuindo e a China, em desaceleração de sua economia, estaria contribuindo fortemente para tal perda de valor.

Seria o fim da Apple? O começo do apocalipse? Não. A empresa segue sendo impressionantemente valiosa, próxima de US$700 bilhões atualmente. Porém, soa um sinal de alerta: até quando a empresa dependerá exclusivamente de inovações disruptivas para manter seu crescimento? É sustentável, pensando em longo prazo, que uma empresa cresça desta maneira?

Essa empresa revolucionou o mercado da música com o iPod. O mercado dos smartphones com o iPhone. Chacoalhou o mercado com as possibilidades quase infinitas do iPad. Surpreendeu boa parte com o inovador Apple Watch. Tais inovações, com as comparações devidamente proporcionalizadas, levaram a empresa a patamares nunca antes vistos em termos de valor de mercado.

Um dos maiores especialistas em valuation corporativo do mundo, Aswath Damodaran, disse às vésperas do pico de valor alcançado que a Apple era “a maior máquina de dinheiro da história”  Ainda que neste exato momento uma nova e surpreendente tecnologia esteja sendo desenvolvida e o valor quebre novos recordes em breve, é sadio questionar: este crescimento totalmente dependente de inovação disruptiva é sustentável a longo prazo?

 

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