Apple e Amazon: quem fica acima do trilhão?

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Recentemente, a Apple e a Amazon conseguiram superar a histórica marca de um trilhão de dólares em valor de mercado. Já indicamos que essas duas empresas estavam na chamada “corrida do trilhão” e que provavelmente seria a Amazon a primeira a superar. Erramos: foi a Apple.

O superar de uma marca de valor tão alta passa uma mensagem de que as empresas foram, ao longo do tempo, um bom investimento para quem deteve seus papéis. Mas, na prática, o que isso quer dizer sobre a continuidade dessa valorização – ou o que isso tem a ver com a empresa seguir acima do trilhão?

A Apple é uma empresa acostumada a quebrar paradigmas quando o assunto é tecnologia. Inovou no meio de vender mídia pelo iTunes, no meio de ouvir mídias externamente com o iPod, mudou a estrutura do setor de comunicação com o iPhone (tornando a estrutura inclusive uma espécie de padrão para todos os fabricantes), adicionou uma nova forma de trabalhar com o iPad e fez uma incursão intensa no mercado de tecnologias wearable com o Apple Watch. Em suma, isso resume praticamente 20 anos de expansão de mercado e crescimento da empresa. Porém, fica o questionamento: é essa reinvenção continuada que sustenta o crescimento – e depender exclusivamente disso é perigoso, pensando no longo prazo, mesmo que a empresa tenha “criado demandas” com tais invenções?

Amazon é um empresa multi-setor. Começou como um marketplace e hoje se expande de maneira vertiginosa. Não é à toa que, no artigo que mencionamos no primeiro parágrafo, há uma comparação com a Buy’n’Large, empresa que fornece todos os produtos e serviços na animação Wall-E. Seu crescimento tem se baseado em uma abertura para estes novos mercados e também em inovações logísticas que têm promovido ao redor do mundo. Aqui há uma diferença fundamental em relação a Apple: também há dependência de inovações tecnológicas, mas a expansão para novos mercados tem maior potencial de fidelizar clientes amplamente do que se fosse única e exclusivamente depender do que de novo seria apresentado a cada ano. Mais diretamente: é mais fácil imaginar que comprar quase tudo de um mesmo lugar e é maior fidelização do que comprar apenas alguns itens tecnológicos individualmente.

No fim das contas, o que definirá a capacidade dessas empresas – e de outras que ainda não alcançaram essa cifra, mas têm altas chances, como a Alphabet – de continuarem sua escalada em valor estará no meio em que elas oferecerão aos seus consumidores, como demandas que justifiquem sua continuidade consumindo seus produtos e serviços. Isso depende não só de tecnologia como também de inovação e de presença na vida das pessoas.

Depender basicamente de novas invenções acaba, na prática, sendo algo que coloca em xeque a capacidade da Apple de crescer ad infinitum. Ampliar a presença em muitos setores (colocando seu jeito de fazer as coisas) sinaliza ser uma força da Amazon. Talvez ambas sigam acima de um trilhão de dólares durante muito tempo – mas é possível que, no longo prazo, a Amazon apresente um crescimento mais sustentável e robusto.

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