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Apple: a maçã que dá lucro

A Apple é um case de marketing e também impressiona nos resultados financeiros. É exemplo de gestão empresarial e de pessoas, mas não fica atrás quando olhamos logística e produção. A companhia da maçã mordida voltou a ser trilionária nesta semana, após um período ligeiramente conturbado de indefinições e dúvidas sobre o futuro, o que mexeu com o ânimo dos acionistas.

Nada melhor do que um gráfico para acompanhar a nossa discussão, que mostra o valor das ações da Apple nos últimos 10 anos, assim como o lucro líquido no final de cada ano.

Em 2009, a empresa sediada no Vale do Silício, mas que também tem sua perninha na Irlanda (o que já gerou uma penca de problemas fiscais), tinha suas ações cotadas a US$ 25 e um lucro líquido de US$ 8 bilhões com o iPhone ainda engatinhando (lançado no final de 2007), computadores Mac ainda ganhando tração no mercado, iPad procurando um lugar ao sol e outros serviços e produtos ainda bastante tímidos nas vendas. Ainda assim, a Apple já despontava com uma empresa altamente inovadora e com alto potencial para escalar os resultados.

Assim, Steve Jobs iniciou sua estratégia de lançamentos seguidos de novos produtos a cada ano, na linha dos iPhones, iPads e Mac. Mas percebeu também que era possível ganhar um bom dinheiro com receitas além da venda de produtos dentro ‘da caixinha’ (literalmente), como é o caso da Apple Store (fundada em 2008), e o serviço de armazenamento em nuvem — iCloud (fundada em 2011). Isso gerou um fluxo de receita recorrente para a empresa. Com vendas de aparelhos e acessórios batendo recorde, aumento do número de usuários, e com uma boa gestão empresarial, a Apple começou a entregar resultados consistentes ao acionista. No ápice, em set/2018, a empresa chegou a valer US$ 1,1 trilhão, valor impensável pelos investidores há pouco tempo.

Mas no final de 2018, toda aquela animação deu lugar à preocupação com o futuro da empresa. Tim Cook, o CEO que está à frente da gigante americana desde a saída do lendário Steve Jobs (2011), veio à público dizer que não havia previsto o tamanho da desaceleração da economia, em especial na China e nos mercados emergentes. Esse fato traria efeitos diretos para a operação da Apple, uma vez que boa parte da produção está na China, e boa parte de suas vendas está nos mercados emergentes.

Com isso, as perspectivas para a empresa desabaram, o que levou a uma venda massiva de suas ações no mercado. No pico das vendas — no fatídico 03/01/2019 — a ação chegou a valer US$ 142, uma queda acumulada de 38% no valor de mercado da companhia desde o ápice, e passou a valer pouco mais de US$ 670 bilhões, o equivalente a uma perda de US$ 500 bilhões! Mas aí a poeira baixou, o resultado do ano de 2018 foi trazido à público e o cenário era melhor que se imaginava.

Como mostra o gráfico, a Apple lucrou US$ 59,5 bilhões, um recorde de valor nominal em toda a série histórica. Ainda, a diversificação das receitas chama a atenção do investidor: se antes a venda dos produtos físicos era determinante para o resultado da companhia, hoje a parte de serviços — incluindo Apple Music, Apple Pay, iTunes, iCloud e App Store — começa a ganhar terreno nas vendas. No Q3 2019, por exemplo, o segmento de serviços atingiu US$ 11 bilhões de receita, e já é o segundo driver de receita da empresa, logo atrás do iPhone, mas a frente das vendas de iPads, acessórios e Mac.

A expectativa para o lucro em 2019 está rodando a casa de US$ 54 bilhões, portanto inferior ao observado em 2018. De qualquer forma, as ações voltaram a apontar para cima, chegando próximo ao máximo verificado na série histórica. Sempre que duvidam da empresa da maçã mordida, ela vai lá e entrega resultado. Pelo menos, os dez últimos anos contam essa história.

 

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