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Amazon, Black Friday e Alibaba

Quando pensamos em Black Friday, principalmente nos EUA, é fácil imaginar uma multidão de pessoas em plena disputa para adentrar lojas e aproveitar as melhores barganhas. Curiosamente, essa realidade é cada vez menos comum para os americanos e o maior símbolo disso é a Amazon. Aliás, essa tradicional data já enfrenta concorrência: na China há o Dia dos Solteiros, uma idealização da também gigante do varejo Alibaba. Mais um capítulo do embate Estados Unidos e China?

Um número indica a tendência de digitalização da Black Friday: as vendas do e-commerce cresceram 19% em relação a 2017 na terra do tio Sam. Pode-se dizer que as lojas digitais caminham para superar as físicas e são lideradas, claro, pela Amazon. Não só a sexta-feira negra é importante, mas a Cyber Monday (segunda-feira imediatamente posterior à Black Friday) tornou-se a principal data, em termos de vendas, para a empresa. Analisando o tráfego do site, em comparação aos demais varejistas, a empresa de Jeff Bezos alcançou cinco vezes mais tráfego que seus maiores concorrentes no setor de varejo.

Contudo, a supremacia americana no varejo pode enfrentar um novo cenário nos próximos anos: China! Estamos falando do Dia dos Solteiros, que é comemorado no dia 11 de novembro. A data em si já existia, mas a Alibaba conseguiu transformá-la em sinônimo de vendas (qualquer semelhança com o dia dos namorados no Brasil é, digamos, coincidência). Atualmente, considerando um único dia, o Dia dos Solteiros é o maior evento de vendas do mundo!

Os hábitos de consumo sinos, entretanto, acabam se diferenciando dos EUA (e Brasil) em função das características daquele mercado. Por exemplo, 90% das vendas são digitais e realizadas em ambientes mobile. Não somente isso, mas o próprio grupo Alibaba captura, aproximadamente, 70% das vendas realizadas nesse dia. Desde que foi transformada numa data comercial, década de 1990, o Dia dos Solteiros cresceu de forma exponencial. Assim, o consumo digital chegou a “canibalizar” o mercado de varejo em lojas físicas, um dos efeitos da predominância modo de vida digital no país. Contudo, também em função do ganho de poder aquisitivo da sociedade chinesa nas últimas décadas, essa tendência começa a se inverter e o estilo de vida dessas pessoas começa a mudar.

O cenário chinês é tão curioso que, mesmo sendo o Dia dos Solteiros a maior data comercial do mundo, existem preocupações e planos à vista. A taxa de crescimento das vendas nesse dia declinou, foram 24% em 2018, em contraste com 44% em 2017. Apesar disso, novas alternativas estão nos planos: a Alibaba busca expandir para novos mercados, firmar parcerias com empresas estrangeiras e otimizar operações para não perder os descontos, maior atrativo ao consumidor. A meta da gigante chinesa é fazer metade das vendas do Dia dos Solteiros fora do seu território de origem.

Diante desses dois cenários distintos, vamos ao cenário brasileiro. A Black Friday já faz parte da cabeça do consumidor brasileiro. Em 2018, segundo a pesquisa Think with Google, 99,8% da população conhece a data. São 135 milhões de internautas no país, dentre os quais cerca de 60 milhões são e-shoppers e os dispositivos mobile participaram de, aproximadamente, 50% das vendas online nesse período.

Entretanto, os receios dos brasileiros já são conhecidos: falta de dinheiro, desconfiança em relação às ofertas e ofertas que não compensam. Esses três pontos, certamente, influenciarão o desempenho de Amazon (que já deu as caras por aqui) e Alibaba (Aliexpress, soa familiar?) com o consumidor brasileiro. Ainda nos resta saber como o mercado de varejistas brasileiros se adaptarão a mais um capítulo dessa guerra de gigantes.

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