Fique por dentro do mundo da economia!


CADASTRE-SE AQUI

Acordo Mercosul-UE: bom agora, melhor amanhã

tags Intermediário

Após vinte anos de negociações, um dos acordos mais positivos em termos de comércio internacional para nossa tão fechada economia finalmente saiu. O quase esquecido Mercosul – que mudou de postura nos últimos anos, focando mais em economia do que em política – sai fortalecido da mais recente reunião do G20.

A economia brasileira é muito fechada, uma das mais fechadas do mundo. Em decorrência disso, os consumidores acabam tendo menor acesso a produtos e serviços que possivelmente tem melhor qualidade e, por efeito de competição, poderiam tornar os nossos também melhores. Essa mudança representa um horizonte novo que escapa dessa direção.

Como todo acordo de grande magnitude, este também não coloca seus termos em prática de maneira imediata. Grande parte da redução das taxas e barreiras comerciais ocorre no decorrer dos próximos dez anos. Porém, é justamente aí que está a oportunidade: existe uma janela de adaptação para o “enfrentamento” da concorrência que vier de fora.

Por mais positivo que seja este acordo, ainda assim existem os teóricos que levantam a causa de que, através da abertura dos mercados, estaríamos prejudicando nossos produtores. Mas, questione sempre quem bradar tais ideias: então a situação atual, de proteção em altos níveis em uma enorme gama de setores, tem deixado esses setores mais beneficiados? A resposta será difusa e provavelmente envolverá chamar você de “entreguista” ou algo que o valha, mas basta ver a situação de várias de nossas “indústrias eternamente nascentes” para compreender como essa proteção, que ocorre desde que o Brasil existe, não teve tanto resultado positivo assim.

O acordo prevê que, nos próximos dez anos, 92% das exportações do Mercosul para a União Europeia sejam isentadas das atuais taxas e, no mesmo período, 91% ocorrerá no caminho contrário. Além disso, alguns produtos agrícolas brasileiros ficarão sujeitos a cotas de exportação (o que também ocorre no caminho oposto), visando não prejudicar os produtores dos dois lados do oceano.

Em números, segundo o Ministério da Economia, podemos observar um incremento de US$87,5 bilhões ao PIB, US$100 bilhões em exportações e US$113 bilhões em investimentos. Ou seja: as possibilidades positivas são diversas e, ressalta-se, é preciso que as amarras à competição (leia-se: as incontáveis proteções setoriais que mantém diversos setores em atraso) sejam quebradas enquanto há tempo, sob o risco de novamente perdermos uma oportunidade imensa.

Este acordo é extremamente positivo ao país, apesar do que os lobbys com voz dirão por aí. Lembre-se que são estes mesmos grupos que permitiram que, sob alto esquema de proteção, ainda assim chegássemos até aqui.

Que os ventos de uma abertura econômica finalmente robusta comecem a soprar por Terra Brasilis!

Terraco Econômico Terraco Econômico

Parceiro Guide

Hoje o maior blog independente de economia do Brasil, foi criado por 4 amigos em 2014, o motivo? Fornecer análises claras e independentes sobre economia e finanças, sempre com a missão de informar o leitor.

162 visualizações

relacionados

Bitnami