Fique por dentro do mundo da economia!


CADASTRE-SE AQUI

A reforma da previdência não é contra os pobres…

Muita desinformação existe acerca da reforma da previdência, dentre elas a principal é que as mudanças previdenciárias prejudicam os indivíduos mais pobres, enquanto preservar benefícios das classes mais ricas. Tal argumento é completamente infundado e uma simples olhada nos dados fiscais e previdenciários nos mostram que a reforma pode ser, inclusive, benéfica para os mais pobres.

Primeiramente vamos olhar os dados do orçamento primário do governo federal. Esses dados nos mostram que os gastos do governo com previdência são enormes, mais da metade, conforme mostra o gráfico abaixo.

Note que saúde e educação correspondem apenas a 10% do orçamento. O bolsa família é apenas 2%. A literatura econômica da melhor qualidade sobre crescimento e desenvolvimento econômico nos mostra que os países mais ricos foram aqueles que investiram fortemente em educação básica, além de maciços investimentos em saúde e saneamento. Conclusão: gastamos 5 vezes mais com previdência do que com aquilo que pode ajudar o país a deixar de ser pobre no longo prazo.

Da forma que está configurado o orçamento federal hoje, ele é um grande gerador de desigualdade de renda, uma vez que os serviços básicos para os mais pobres não estão sendo financiados de forma correta.

Outro ponto importante é que a reforma vai acertar em cheio aqueles que mais recebem, como os funcionários públicos (federais e estaduais), hoje um funcionário público civil recebe em média quase 6 vezes mais que um aposentado médio do sistema do INSS, e quase 7 vezes a renda média nacional. E quase 30% acima do teto do INSS. Como mostra o gráfico abaixo:

Por último, podemos ver o valor dos benefícios previdenciários pagos. 84% dos benefícios não ultrapassam dois salários mínimos, enquanto 68%, a grande maioria, é de apenas 1 salário mínimo. Esses benefícios pouco sofrem com a reforma previdenciária, apenas a regra de acesso a eles mudará, caso venha a existir uma idade mínima para aposentadoria. Esses 84% dos benefícios correspondem a algo em torno de 30% do valor total pago, ou seja, a esmagadora maioria dos beneficiários não é responsável pelo elevado valor do déficit previdenciário.

Esses dados mostram que o atual sistema previdenciário está desequilibrado para o lado dos funcionários públicos e dos altos salários. Da forma que está hoje, o sistema é um grande perpetuador de desigualdades e privilegia aqueles mais ricos.

Reformar a previdência significa retirar privilégios e aumentar a quantidade de recursos disponíveis para outras áreas vitais do governo, que podem efetivamente diminuir a desigualdade e ajudar o país a ficar mais rico no longo prazo.

Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

474 visualizações

relacionados

Utilizamos cookies para melhorar a sua navegação

Entendi
Bitnami