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A qualidade do empreendedorismo no Brasil

Não há dúvidas de que a sociedade brasileira tem como característica bastante aparente o empreendedorismo. Isto é, o ato de abrir o próprio negócio por conta própria ou através de sócios. Dito isso, qual o panorama do empreendedorismo no Brasil?

Não é difícil nos lembrarmos de alguém próximo que optou pelo caminho do empreendedorismo ou que, muitas vezes, foi forçado a abrir um negócio para complementar a renda, ou porque a renda do trabalho era insuficiente ou talvez porque estava temporariamente sem emprego. Esse último ponto levantado é uma constatação evidente dos últimos números divulgados do desemprego, indicador que ainda assombra nós brasileiros desde o aprofundamento da crise econômica iniciada em 2015.

As estatísticas mais recentes relacionadas a empreendedorismo nos dão uma ideia dessa predisposição inerente ao brasileiro de abertura do próprio negócio. Uma dessas pesquisas é a Global Entrepreneurship Monitor (GEM), estudo realizado em vários países que tem como objetivo compreender o papel do empreendedorismo no desenvolvimento econômico e social. Importante ressaltar que no conceito adotado pelo GEM, o empreendedorismo consiste em qualquer tentativa de criação de um novo empreendimento, como, por exemplo, uma atividade autônoma, uma nova empresa ou a expansão de um empreendimento existente.

Considerando o recorte brasileiro da pesquisa, a taxa de empreendedorismo total (TTE) alcançou 38%, o que significa que 52 milhões de brasileiros com idade entre 18 e 64 anos estavam envolvidos na criação ou manutenção de algum negócio, na condição de empreendedores. Essa taxa é uma das maiores do mundo, ficando bem à frente dos EUA (20%), China (26,7%) ou Rússia (8,7%). Vale a pena ressaltar que o índice de 38% é o segundo maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 2002, conforme mostra o gráfico abaixo:

Retirado de: Sumário GEM 2018 – Sebrae: https://bit.ly/2W6tYHX

Contudo, como também define o estudo, há duas motivações para empreender: por necessidade e por oportunidade. Deixando mais claro: quando um indivíduo empreende por necessidade, o negócio tem como função complementar a renda familiar, é caracterizado por baixa inovação e o potencial de lucro nos anos iniciais é menor. Por outro lado, o empreendedor por oportunidade é aquele que vislumbra um potencial em um mercado, abre o negócio sem a obrigação de complementar sua renda e o grau de inovação do novo empreendimento é alto.

Apesar das altas taxas de novos negócios no Brasil, nos últimos 3 anos, a quantidade de empreendedores que abriram por necessidade foi significativo. Vejamos o gráfico abaixo, que detalha a motivação para empreender considerando os empreendedores iniciais (TEA):

Retirado de: Sumário GEM 2018 – Sebrae: https://bit.ly/2W6tYHX

O efeito da crise econômica é notável no gráfico acima. Estávamos caminhando para termos 3 em 4 negócios abertos por oportunidade, mas agora estamos próximos de 3 em 5, com uma leve recuperação a partir de 2016. Como mostra a pesquisa em âmbito mundial, de fato, o Brasil tem negócios com pouco poder de inovação e baixos índices de produtividade. Isso sem falar na dificuldade de se fazer negócios no Brasil, medido por pesquisas com o Doing Business, que ano após ano mostram que a fama de “criar dificuldades para vender facilidades” não é tão distante da nossa realidade empresarial, embora no último ano tenha sido observado uma ligeira melhora desses indicadores.

Apesar de todas as dificuldades impostas, o empreendedorismo é fato presente na economia brasileira e é visto como uma alternativa viável ao desemprego que nos acometeu nos últimos anos. Contudo, como os números mostram, a “qualidade” desse empreendedorismo se deteriorou nos últimos anos, resultado da pior crise econômica que o país já viu. São os empreendedores que serão igualmente responsáveis por nos tirar do atoleiro, produzindo, empregando e gerando renda. Com a crise fiscal que nos metemos nos últimos anos, o governo teve que perceber forçadamente que seu papel é dar condições e facilitar a abertura, manutenção e crescimentos dos negócios, sem intervenções diretas na economia.

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